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Colômbia elege ex-guerrilheiro e primeira mulher negra como presidente e vice

O senador e ex-prefeito de Bogotá Gustavo Petro foi eleito neste domingo (19/6) presidente da Colômbia.

Ex-combatente do grupo armado M-19, atuante durante a década de 1980, ele se torna o primeiro presidente de esquerda do país. 

Petro conquistou 50,47% dos votos válidos, batendo o candidato “outsider” Rodolfo Hernández, que havia surpreendido ao conquistar o segundo lugar no primeiro turno, realizado em 29 de maio.

Esta é a terceira vez que Petro, um economista de 62 anos, tenta chegar à presidência do país.

“Hoje é dia de festa para o povo. Que festeje a primeira vitória popular. Que tantos sofrimentos sejam amortecidos pela alegria que inunda o coração da pátria. Esta vitória é para Deus e para o povo e sua história. Hoje é o dia das ruas e das praças”, escreveu o presidente eleito Twitter.

Petro já havia alcançado votação expressiva no primeiro turno – 8,5 milhões, 40,34% do total de votos válidos, percentual histórico para um candidato de esquerda.

Com ele, também foi eleita a primeira vice-presidente negra do país, Francia Márquez.

Em um vídeo divulgado em suas redes sociais na noite de domingo, o rival, Rodolfo Hernández, que concorreu de forma independente e sem ligação com partidos, reconheceu a derrota.

“Aceito o resultado, como deve ser se queremos que nossas instituições sejam sólidas”, declarou. 

“Desejo ao doutor Gustavo Petro que saiba conduzir o país, que seja fiel ao seu discurso contra a corrupção e que não decepcione aqueles que confiaram nele”, completou.

Com 77 anos, Hernández foi prefeito da cidade de Bucaramanga e, durante a campanha, chegou a ser comparado com uma espécie de “Trump colombiano” por analistas.

O que propõe o presidente eleito

“Não é a guerra, é a educação; não é o petróleo e a cocaína, é o trabalho sob o sol e a transformação dos produtos na indústria; não é uma oligarquia minoritária governando a Colômbia, é uma democracia multicolorida”, disse Petro em campanha.

O ex-prefeito de Bogotá foi candidato pelo chamado Pacto Histórico, uma aliança de siglas de esquerda que ele conseguiu reunir ao longo de anos depois de se afastar de suas propostas mais radicais do passado. 

Sempre crítico às instituições, desta vez, diante de Hernández, ele se apresentou como grande apoiador delas, como representante de uma mudança moderada contra um rival com poucas propostas concretas.

Petro conseguiu neste domingo superar ainda o que muitos descreveram como “Petrofobia”, o medo de parte do eleitorado de suas propostas mais ambiciosas e de sua participação no grupo guerrilheiro M-19 décadas atrás, pelo qual foi preso por posse de armas.

Algumas de suas propostas podem mexer com a ordem neoliberal tradicional do país, como uma reforma tributária que muitos especialistas consideram essencial de uma forma ou de outra; ou a transição para o fim do extrativismo de petróleo, principal fonte de arrecadação do Estado por meio das exportações.

FONTE: BBC NEWS BRASIL

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