Esporte

Clubes remodelam programa sócio-torcedor para elevar receita

Volta da torcida às arenas eleva base de associados das equipes brasileiras depois de prejuízo sem bilheteria

Com a volta dos torcedores aos estádios, ainda que parcial, os clubes brasileiros começam lentamente a reduzir o prejuízo provocado pela ausência de bilheteria em razão da pandemia de covid-19 em 2020 e parte de 2021. Uma importante fonte de receita das equipes, o programa de sócio-torcedor virou prioridade à medida que os fãs retomam seus lugares nas arquibancadas. Os clubes estão dando prioridade para os sócios-torcedores na compra dos ingressos para seus primeiros jogos com público e querem recuperar a base que perderam devido ao período com os portões fechados. Foram cerca de 300 mil sócios-torcedores a menos para os 20 principais times do País durante a pandemia. A perda, em média, foi de 45%.

Esses clubes arrecadaram com receitas do “matchday”, que inclui bilheteria e sócio-torcedor, quase R$ 1 bilhão em 2019. No ano seguinte, com a eclosão da pandemia e os estádios fechados para os fãs, ganharam metade, R$ 502 milhões. Agora, o cenário começa a melhorar novamente com os fãs nos estádios. O Corinthians foi o primeiro da capital paulista a poder rever seus apoiadores na Neo Química Arena.

“Uma vez que essas circunstâncias estejam normalizadas, nós acreditamos que voltaremos rapidamente aos números de março de 2020”, diz ao Estadão José Colagrossi Neto, superintendente de marketing, comunicação e inovação do Corinthians. Ele entende que, para expandir o programa, tem de oferecer vantagens aos torcedores que vão ou não aos jogos. “Para ampliar a base de Fiéis Torcedores, temos de criar e oferecer benefícios que vão além do desconto em ingressos e, assim, tenham apelo real e relevante para os torcedores de fora da capital”, avalia. O Fiel Torcedor registra cerca de 40 mil torcedores no momento.

O São Paulo, com quase 30 mil associados, não traça uma estimativa de crescimento diretamente ligada ao retorno da torcida no estádio, mas espera um aumento na base ativa do programa, especialmente nos associados residentes no Estado. “Acreditamos fortemente também que esse crescimento tende a se acentuar quando os protocolos de segurança forem (ainda mais) flexibilizados e as experiências presenciais, em especial as que envolvem contato direto com os atletas e com a delegação, venham a ser liberadas”, avalia o departamento de marketing do clube.

O Internacional ostenta o maior número de sócios-torcedores do País. São pouco mais de 75 mil. O clube já chegou a superar a marca de 130 mil.”Tivemos uma baixa nesse período da pandemia, mas imaginamos que nossas categorias sociais voltem a encher com a liberação do público no estádio”, diz Victor Grunberg, vice-presidente de Patrimônio e Administração do clube colorado.

“Também vimos outras formas de entrega para os sócios e pensamos em breve lançar mais serviços e possibilidades ao nosso sócio que vá além da ida ao jogo”, complementa Grunberg. O clube gaúcho estabeleceu um sistema de check-in por categoria em que os sócios indicam se têm intenção de ir a cada partida. “A tendência é que poucos não sócios consigam ir ao Beira-Rio”, explica o executivo.

Muitos clubes repensaram o seu programa de sócio-torcedor ao perder uma quantia considerável de contribuintes durante a pandemia. Alguns ouviram o próprio torcedor para saber quais melhorias poderiam ser feitas. O Corinthians, por exemplo, convidou sócios ativos e ex-membros do programa para uma rodada de pesquisas qualitativas, em grupos de discussão a fim de entender as principais demandas deles e depois abriu enquete em seu site, com o objetivo de confirmar em números maiores a percepção que os grupos haviam passado. “Chegamos a conclusões bastante interessantes”, aponta Colagrossi.

Inovações

Os departamentos de marketing dos times têm apostado em inovações tecnológicas e ações nas redes sociais para mitigar o prejuízo e deixar o torcedor menos distante, engajando-o no ambiente virtual a partir de diferentes estratégias. Segundo estimativas de especialistas em marketing esportivo, o sócio-torcedor chega a representar até 15% do faturamento dos clubes.

“É muito importante saber a jornada do torcedor e conhecer a fundo os perfis existentes para oferecer um produto cada vez mais personalizado. Ouvir de verdade os torcedores pode trazer inovação na criação das modalidades, lembrando que a hora é perfeita para remodelagem do programa visando a próxima temporada”, explica Renê Salviano, executivo com experiência profissional em diretoria comercial, de marketing e novos negócios do esporte, e dono da agência de marketing esportivo HeatMap.

Na Série B, o Botafogo se viu obrigado a fazer essa remodelagem. Depois de perder mais de 10 mil sócios, promoveu descontos, passou a dar mais benefícios aos associados e mudou os planos, nome, comunicação e apresentação visual do programa a fim de recuperar os antigos e atrair novos sócios-torcedores. “O comportamento das pessoas mudou e estamos encontrando junto com a nossa torcida, e especialmente os sócios, o melhor caminho a ser trilhado”, observa Pedro Souto, gerente de negócios do Botafogo. Hoje, o clube carioca conta com cerca de 17 mil associados.

Nos jogos do Fortaleza, sócios-torcedores não pagam valor adicional pelo ingresso. Fazem o check-in e têm prioridade para ir às partidas no Castelão. “Acredito que haverá um crescimento. Já sentimos. O movimento ainda é tímido por causa das restrições. Mas quando o estádio tiver capacidade máxima, a tendência é que o Fortaleza saia dos 14 mil sócios e volte ao patamar de 30, 35 mil”, projeta o presidente Marcelo Paz.

O Juventude também dá prioridade ao seu associado. “Estamos priorizando os sócios, pois eles estiveram sempre ao nosso lado, tanto nos momentos áureos como quando ficamos sem série. Durante a pandemia, o sócio continuou nos apoiando e nos ajudando nesse momento de diminuição de receitas”, comenta Fábio Pizzamiglio, vice-presidente de marketing do clube gaúcho. Segundo o dirigente, houve um incremento de 15% no quadro social desde que os torcedores voltaram ao estádio. “Esperamos que esse aumento fique de 25% a 30% do que tínhamos antes da pandemia”.

O Grêmio contava com aproximadamente 90 mil associados antes da pandemia. Hoje, são 65 mil. A queda é grande, mas ainda assim é um dos times com mais participantes em seu programa no futebol brasileiro. “Com a volta do público, nossa visão é que vamos recuperar esses sócios”, diz Beto Carvalho, diretor de marketing do clube gaúcho.

Efeito Libertadores ajuda Flamengo e Palmeiras

Flamengo e Palmeiras também trabalham para aumentar sua base de associados. E a presença na final da Libertadores tem sido fundamental nesse processo. Os dois times, que nos últimos anos estiveram por vezes entre os cinco clubes com mais sócios-torcedores no País, registraram aumento em seus programas depois que asseguraram a vaga na decisão em Montevidéu do torneio continental.

O Nação Rubro-Negra, hoje com 66 mil apoiadores, ganhou cerca de 7 mil adeptos após o Flamengo confirmar presença na final no Uruguai, marcada para 27 de novembro. A adesão do Avanti foi de aproximadamente 4 mil novos torcedores e o programa registra a marca de 35 mil. Cada clube terá direito a 25% dos ingressos disponíveis para a final da Libertadores. A Conmebol ainda não divulgou informações a respeito da venda dos bilhetes. Até o momento, o estádio Centenário, palco da decisão, poderá contar com ao menos 50% de sua capacidade. O que se sabe é que os ingressos serão salgados, R$ 1,1 mil os mais baratos.

Ranking dos clubes com mais sócios-torcedores no futebol brasileiro:

  • Internacional – 75 mil (em março de 2020 – 120 mil)
  • Atlético-MG – 73 mil (20 mil)
  • Flamengo – 66 mil (125 mil)
  • Grêmio – 65 mil (90 mil)
  • Vasco – 58 mil (179 mil)
  • Corinthians – 40 mil (68 mil)
  • Palmeiras – 36 mil (não revelava)
  • São Paulo – 29 mil (28 mil)
  • Fluminense – 29 mil (23 mil)
  • Santos – 25 mil (22 mil)
  • Sport – 23 mil (24 mil)
  • Athletico-PR – 20 mil (28 mil)
  • Botafogo – 17 mil (25 mil)
  • Ceará – 16 mil (21 mil)
  • Bahia – 16 mil (45 mil)
  • Fortaleza – 15 mil (35 mil)
  • Cruzeiro – 10 mil (58 mil)
  • Chapecoense – 7 mil (não encontrado)
  • Juventude – 6 mil (não encontrado)
  • Cuiabá – 5 mil (não encontrado)

*América-MG e Red Bull Bragantino não divulgaram seus números

FONTE: ESTADÃO CONTEÚDO –  AGÊNCIA ESTADO

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

CHARGE – CARTUNISTA

COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • COLUNA TEIA DIGITAL: Confiança Empresarial diminui com cenário econômico de incerteza – Por Silvio Persivo

    Insistir é preciso. “De tudo ficaram três coisas: A certeza de que estamos começando. A certeza de que precisamos continuar. A certeza de seremos interrompidos antes de terminar. Portanto, devemos fazer da interrupção um caminho novo. Da queda, um passo de dança. Do medo, uma escada. Do sonho, uma ponte. Da procura, um encontro” (Fernando Sabino). IV SIMPÓSIO DE CIÊNCIA E PESQUISA A da Fundação de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa do Estado de Rondônia (Fapero) com o objetivo de aproximar a sociedade da comunidade científica e apresentar os seus resultados nos projetos apoiados pela instituição,) realiza o IV Simpósio de Ciência e Pesquisa (Simfap), nos dias 5 e 6 de novembro. O evento reúne pesquisadores para compartilhar seus trabalhos, fortalecer a ciência, a tecnologia e a inovação no estado.. O evento om palestras, mesas-redondas, debates e apresentações de trabalhos científicos será realizado no Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO), na Avenida Presidente Dutra, nº 1889, em Porto Velho, e as inscrições estão abertas até o dia 4 de novembro, O presidente da Fapero, Paulo Renato Haddad, disse que o Simfap já se tornou uma tradição “Mais do que apresentar resultados, o evento é uma forma de dar transparência aos investimentos realizados em ciência, tecnologia e inovação, aproximando a população das pesquisas e demonstrando como esses recursos estão contribuindo para o desenvolvimento de Rondônia”. COMEÇOU O PERÍDO DE DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA DE REBANHOS Começou neste último domingo (1º), o período para a segunda etapa da declaração obrigatória de rebanhos em Rondônia. A atualização cadastral deve ser realizada até 30 de novembro pelos produtores rurais que criam bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos, suínos, equídeos e aves. O procedimento é realizado junto à Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron). Durante o período, a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) fica condicionada à regularização das informações cadastrais e os produtores só poderão movimentar os animais para transporte ou comercialização depois de feitaa declaração do rebanho. No sistema Idaron Online, os pecuaristas vão classificar o gado como leiteiro ou de corte e informar os números de nascimentos e mortes desde maio. Também será necessário indicar a faixa etária dos animais, especificando quantos, entre os nascidos depois da primeira etapa da declaração, têm de quatro a seis meses e quantos têm de um a três meses de idade. Por fim deve ser feito o ajuste automático do total dos rebanhos no sistema, a partir das alterações informadas pelo produtor. A A atualização cadastral, como se sabe, é necessária para manter o status sanitário de Rondônia como área livre de febre aftosa sem vacinação. CONFIANÇA DOS EMPRESÁRIOS DIMINUI COM CENÁRIO ECONÔMICO DE INCERTEZA Segundo o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), os empresários do comércio, no último e mais forte trimestre para o setor no ano, estão menos otimistas, com menos planos de expansão e contratação. O Icec registrou um recuo de 2,7% em outubro, resultado das incertezas do cenário econômico e apresentou sua quarta queda consecutiva e a mais intensa desde julho, já descontados os efeitos sazonais. Com este resultado, o indicador reduziu para os 96,7 pontos, ficando abaixo do nível de neutralidade e atingindo o valor mais baixo desde maio de 2021, na pandemia, quando marcou 94,5 pontos. Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, “O comércio acende um alerta para todo o país ao entrar no período mais lucrativo do calendário, sob cautela. Quando o empresário pisa no freio das contratações e dos investimentos, toda economia desacelera, reflexo direto das incertezas nos âmbitos fiscal e monetário que travam as decisões de negócios neste último trimestre”, analisou. Em Rondônia, a situação é um pouco melhor mesmo com o Icec caindo de 107,3 pontos para 105,9 pontos, ou seja, uma queda de -1,3%. Rondônia, em geral, possui um comportamento mais otimista e resiliente, mas, ainda assim, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia-Fecomércio/RO, Raniery Araújo Coêlho, afirmou ser preciso “Maior previsibilidade, segurança jurídica e políticas monetárias que reduzam os custos das operações do nosso setor. O comércio, nas condições atuais, mesmo querendo expandir e gerar postos de trabalho sofre com a falta de um ambiente mais favorável para manter o crescimento”. E também aconselhou os empresários a realizarem promoções e facilidades maiores para atrair os clientes neste final de ano. REINCIDÊNCIA DE INADIMPLENTES BATE RECORDE Um sintoma deste problema é o fato do Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em setembro, revelar que se verificou o maior recorde no número de consumidores negativados nas listas de inadimplentes. Em setembro de 2026, do total de negativações, 87,44% foram de devedores reincidentes, ou seja, consumidores que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses. Acrescente-se que no universo de reincidentes, a maior parte, 67,05%, ainda não havia quitado as pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 20,38% tinham saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 12,56% dos negativados em setembro não estiveram com restrições no CPF ao longo do último ano. Mais: o tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento das demais pendências para os reincidentes foi de 72,5 dias. Isto significa que, em média, depois de cerca de 2,4 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra dívida já vence. Também se observa que houve um crescimento de 18,28% no número de devedores reincidentes, os que já haviam aparecido no cadastro de inadimplentes, na comparação com os 12 meses anteriores. É uma forte indicação de que o programa Desenrola não deu certo. AUTOR: SILVIO PERSIVO –  COLUNA TEIA DIGITAL

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