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Chegou no Brasil denuncias contra Padres da igreja Católica; Quatro ex-coroinhas denunciam padre do interior de São Paulo por abuso sexual

Eles contaram suas histórias ao GLOBO, com exclusividade; padre Pedro Leandro Ricardo se diz inocente

Quatro ex-coroinhas procuraram a Polícia Civil de Araras, no interior de São Paulo, para registrar novas queixas de assédio sexual contra o padre Pedro Leandro Ricardo, investigado por suspeitas de abuso, inclusive de menores de idade. Eles falaram com exclusividade ao GLOBO (os relatos dados na íntegra estão abaixo).

Duas das pessoas que se apresentaram na manhã de segunda-feira, 18, como vítimas do religioso na Delegacia de Defesa da Mulher não estavam na denúncia inicial do caso — que contava com cinco denunciantes e levou à abertura de inquéritos nos municípios de Araras, Limeira e Americana. Elas afirmam ter se encorajado a depor depois de as primeiras denúncias tornarem-se públicas.

A reportagem já havia entrevistado ex-coroinhas na semana passada. Eles confirmaram à polícia os depoimentos feitos ao GLOBO. Três deles pediram para não ser identificados. Um afirmou que chegou a ter relações sexuais com o padre na casa paroquial, onde o religioso morava em 2002, quando atuava na paróquia São Francisco de Assis.

Um rapaz contou que o religioso teria deslizado a mão até seu seu pênis após trocar a marcha do carro durante uma carona da casa paroquial até uma comunidade rural, onde teria ido com o padre Leandro celebrar uma missa.

A funcionária pública Stela Bezerra, transexual, disse ao GLOBO que foi assediada por ele em 2005, quando tinha 14 anos. Ela contou que, na época, além de ajudar o padre Leandro como coroinha, ainda participava do coro da paróquia. Segundo Stela, o assédio teria começado quando ela tinha o mesmo nome do padre, que fazia brincadeiras sobre a semelhança.

Stela afirmou, também, que o religioso fez ameaças contra seu irmão, que na época era seminarista, caso ela revelasse o ocorrido. Ela manteve o segredo até agora.

— Ele (padre Leandro) disse que, se eu fosse obediente, teria tudo dele — disse ela, contando que o padre a assediava na sala dele, dentro da igreja.

Procurada, a defesa do padre não quis comentar os depoimentos das vítimas para não interferir nas investigações. Responsável pela defesa do religioso, o advogado Paulo Henrique de Moraes Sarmento sustenta que seu cliente é inocente.

Leia abaixo os quatro relatos feitos por ex-coroinhas ao GLOBO.

Relato de Stela Bezerra, funcionária pública e transsexual

Quando diz ter sido abusada entre 2005 e 2006, ela ainda se chamava Leandro. Em outubro do ano passado, obteve autorização para mudar de nome e de gênero.

“A minha família sempre frequentou a igreja São Francisco de Assis, onde o padre Leandro assumiu como pároco em 2002. Eu era muito envolvida nas atividades da igreja. Além de ser coroinha eu ainda cantava no coro da igreja. Na adolescência tive problemas de relacionamento com meu pai e buscava aconselhamento com o pároco.

Eu tinha um bom relacionamento com ele. Até que uma vez, quando estava com 14 anos, surgiu uma viagem pra Atibaia e o padre acabou pagando para mim. E depois disso começou a me agradar. E nesse mesmo dia me chamou na sala dele na igreja e fechou a porta. Ele disse que porque éramos xarás, já que ambos nos chamávamos Leandro, éramos ‘imagem e semelhança de Deus’. E justificou que por isso tínhamos que ser afetuosos. Enquanto falava comigo, ele fazia carinho no meu rosto, alisava meu corpo. E não parou nisso.  Desceu as mãos e apalpou minhas coxas.

Foi a primeira vez que me tocou. Fiquei paralisada, ainda não sabia como lidar com a sexualidade. Após alguns dias desse primeiro toque, ele (padre Leandro) me chamou em sua sala de novo para falar a respeito de vocação. Disse que eu não deveria seguir os passos do meu irmão, que era seminarista e que o padre considerava rebelde. Falou que se eu fosse obediente teria tudo dele. Ele então ficou na minha frente quando eu estava sentada numa cadeira. E olhando nos meus olhos segurou o meu pênis. Ele chegou ao ponto de salivar. Chegou a babar no canto da boca. Fiquei sem reação, em choque, até que alguém bateu a porta.

Em uma outra vez eu cheguei mais cedo na missa e ele me chamou na sala dele. Abaixou então as minhas calças. E eu reagi e o empurrei. Ele não gostou. Disse que poderia prejudicar meu irmão no seminário. Subi minha calça. E prometi que não faria, nem contaria nada”.

Relato de ex-seminarista e hoje estudante

“Aos 10 anos de idade eu e meus familiares frequentávamos a igreja comunidade Nossa Senhora das Graças, bem próxima de onde eu morava na época. O padre Leandro ia lá uma vez por semana celebrar missa, já que era o pároco da igreja São Francisco de Assis, que fica a uns dois quilômetros de distância de onde eu residia. Como eu participava de todas atividades da igreja, o padre acabou percebendo e me chamou para ser coroinha na paróquia dele. Eu achava longe, mas ele disse que poderia me levar e buscar. Aceitei.

Eu ainda era muito novo, mas eu percebia um negócio diferente. Quando acabava a missa, vários meninos iam na casa dele. E eu não. Porque eu percebia que ele me olhava com desejo. Ficava retraído. Sempre que falava comigo ficava acariciando meus rosto e meus braços. Em 2008, quando já estava mais crescido aos 15 anos, o padre Leandro quis colocar a batina de acólito em mim, o que não tinha o costume de fazer.

Naquele dia, enquanto me ajudava a colocar a túnica, começou a deslizar muito as mãos pelo meu corpo: alisou minhas costas, cintura e as coxas. Eu fiquei travado, muito assustado. Ele gostava que a gente colocasse as vestes nele, mas eu nunca colocava. Ficava travado. Eu era uma criança muito quieta, retraída.

Outras vezes, me acariciava quando me dava carona no carro. Ao trocar a marcha, encostava na minha coxa quando eu estava no banco do carona. Como ele percebeu que eu relutava, passou a me excluir de tudo. Não me levava para passear como com os outros garotos. Ia todo mundo para casa paroquial comer pizza, eles iam para viagens também e ganhavam presentes, como sapatos e roupas. O padre chegava a pegar um ônibus que a prefeitura cedia e levava os coroinhas ao parque Hopi Hari. Eu nunca fui.

Eu resistia, mas ficava numa luta interna porque também queria ter aquelas regalias. E então, quando cheguei ao seminário, vieram um monte de padres me cantar. Alguns ligavam e chamavam para eu fazer alguma celebração para eles. No começo eu relutava, mas como  passava necessidade eu vi que precisava fazer aquilo para me manter. Eu não queria voltar para pobreza. Então, eu fui com o primeiro padre que ligou. Ele me levou para fazer uma celebração. Depois comemos pizza e começamos a beber cerveja. Aí chegou à casa paroquial e começou com umas conversas. Ele começou a me passar a mão. E eu tive que deixar.

Não queria voltar para pobreza e passava necessidade. A primeira vez que me relacionei com um desses padres cheguei em casa com tanto nojo que vomitei. Fiquei muito mal. Só melhores uma vez eu me abri com uma psicóloga do seminário. Disse que não estava bem. E ela me aconselhou a sair. Assim foi feito.”

Relato de um professor

“Comecei meu trabalho como coroinha na paróquia de São Francisco de Assis aos 10 anos de idade. A minha vida se passava toda na igreja. Assistia os padres em seis a sete missas por semana. Tínhamos relação de pai e filho. A minha mãe tinha orgulho de me ver na paróquia. Num bairro pobre, ver o filho ir bem na igreja era algo bem visto pelos pais.

A carreira de padre era uma opção real de futuro, de emprego. Em 2002, quando o padre Leandro chegou na paróquia São Francisco de Assis uma das minhas funções era acompanhar o padre em missas em locais pobres na zona rural da cidade. Uma vez ao acompanhar o padre até um desses locais, ele me assediou.

Durante a ida, ele conversava e e deixava a mãe escapar e encostar na minha coxa quando trocava a marcha. Pensei que não tinha problema, inicialmente.  Achei que fosse uma forma de amizade. Quando retornamos da missa, porém, o padre fez novas investidas: alisou a minha coxa até apertar o meu pênis. Ao fazer isso ainda fez um convite para que eu fosse dormir na casa paroquial. E o reprendi e pedi que não fizesse mais aquilo. Não comentei o caso com ninguém.

Alguns dias depois disso, o padre disse que não precisava mais da minha ajuda nas missas. Começou a me afastar das atividades da igreja. Até que pouco tempo depois me expulsou da igreja, o que me fez sofrer muito. Num bairro pobre como José Ometto, a igreja era uma espécie de centro cultural. 

Decidi ficar em silêncio. Não pude contar a minha mãe porque ela tinha sérios problemas de saúde. Era cardíaca. Também não revelei ao meu pai porque sentia medo que sua reação fosse violenta. Me senti humilhado. Tive depressão e ataques de pânico. Fiz tratamento com psiquiatra e cheguei a tomar rivotril e diasepan para dormir. Só tive coragem de falar agora depois que soube de vários casos de abusos cometido pelo padre. Hoje, não frequento mais a igreja.”

Relato de um vendedor

“O meu primeiro contato com o padre Leandro foi na casa paroquial em 2002, quando ele estava de mudança e ainda chegava a Araras. Quando ele me olhou a primeira vez perguntou quem era eu e me olhou diferente. Parece que ele já tem um perfil de quem eles vão abordar. Já chegam reconhecendo território.

Numa ocasião, ele convidou eu e mais três meninos para irmos buscar doações para igreja em outro município. Ele me chamou para sentar no banco do carona, à frente. Acho que ele já percebia que pelo fato de eu ser gay e mais retraído podia representar uma chance maior pra ele. Eu fui. De vez em quando no meio do caminho, o padre levava a mão no câmbio e esbarrava na perna. Foi assim toda a viagem. Até que na volta, ele deu uma investida maior: correu a mão e deu uma apalpada. Eu não consenti. Mas não conseguia falar.

Tempos depois, a gente rezava a missa numa das comunidades. E a gente tinha hábito do padre anterior de dormir na casa paroquial. Mas ele não fazia nada. Nos tratava como pai. Eu ajudava na limpeza da casa, lavava o quintal e até o carro do padre. Então ele me convidou para dormir na casa paroquial, já que sairíamos muito cedo no dia seguinte. Ao chegar lá, porém, não havia ninguém. Os outros meninos não estavam. Ele então me ofereceu uma bebida com álcool. Eu era um retraído sexualmente, não bebia. Mas acabei tomando uma taça de vinho.

Parou na minha frente e começou a perguntar se eu tinha namorada. E eu percebi que ele ficou com o pênis ereto. Ele então fez sexo oral em mim. Depois disso, me senti enojado, muito constrangido. Ao perceber isso, o padre Leandro me deu algo como R$ 300 num envelope pardo. O dinheiro era uma espécie de um cala boca. Eu era um menino pobre. Peguei aquele dinheiro e nunca mais voltei.”

Vaticano envia bispo para investigar corrupção

Também na segunda-feira, o Vaticano enviou à Diocese de Limeira um bispo  — dom João Inácio Müller —para investigar suspeitas de corrupção, após O GLOBO revelar, no último sábado, depoimentos à polícia que atestam denúncias contra o responsável da diocese, dom Vilson Dias de Oliveira.

Dom Vilson não é apenas acusado de corrupção — ele teria extorquido padres da região —, mas também é acusado de acobertar os casos de abuso sexual cometidos por padre Pedro Leandro Ricardo, que tambem é da Diocese de Limeira. O padre foi afastado da função eclesiástica de reitor da basílica de Americana no último dia 26 de janeiro, após os casos tornarem-se públicos, em janeiro. O padre nega as acusações.

O escândalo de corrupção se tornou público na esteira de uma investigação justamente sobre suspeitas de crimes sexuais.

Dom João Inácio Müller foi escolhido pelo representante do Papa Francisco no Brasil, o núncio apostólico dom Giovanni d’Aniello. Ele tem a missão de investigar especificamente as supeitas de corrupção.

Em seu primeiro dia de trabalho de “visitador apostólico”, nome da Igreja para quem realiza esse tipo de investigação, ele ouviu cerca de 15 padres. A diocese conta com cerca de cem paróquias. Foi aberto um processo canônico sigiloso, investigação interna da Igreja Católica para apurar a veracidade das acusações.

Zelo pela imagem da Igreja

No último sábado, O GLOBO revelou uma denúncia feita pelo padre emérito Ângelo Francisco Rossi. Segundo ele, dom Vilson Dias de Oliveira lhe pediu R$ 50 mil para comprar armários para sua própria casa em Guaíra, cidade natal do religioso, no norte de SP.

A reportagem conversou com alguns desses padres antes da reunião. Eles demonstraram preocupação com a imagem da Igreja, mas se limitaram a dizer que é preciso investigar. Após o encontro com o bispo, os religiosos procurados pelo GLOBO preferiram não se manifestar, devido ao juramento de sigilo, mas indicaram que dom João Inácio, bispo da Diocese de Lorena, não emitiu opinião em seus questionamentos.

A defesa de dom Vilson informou que ele não vai comentar as acusações até a conclusão do inquérito. Em nota divulgada ontem, a Diocese de Limeira disse que também não irá se manifestar.

Nos bastidores, a situação do bispo tornou-se delicada no clero. Nos últimos dias, ele tem pedido apoio na Igreja, orações aos fiéis, e atribuído as acusações ao que chama de “bandidos”. A comunidade segue dividida sobre dom Vilson.

Dom João Inácio Müller atuará como uma espécie de delegado da Igreja, como se fosse um inquérito de investigação, que, após ser concluído, será encaminhado ao núncio dom Giovanni. Este, por sua vez, deve agir como promotor e verificar se há consistência nas acusações, que podem ser enviadas ao Vaticano, de modo que o Papa ou a congregação dos bispos possa julgar o caso.

FONTE: O GLOBO

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

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COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • TEIA DIGITAL: Em Setembro, Balança Comercial em Rondônia apresenta resultado negativo – Por Silvio Persivo

    E querem nos dizer o que devemos fazer sem considerar nossos interesses. “Eles não aprenderam nada e não esqueceram nada” (Charles Maurice de Talleyrand-Périgord). 3ª EXPOTURISMO ENCERRA COM IMENSO SUCESSO Realizada com muito sucesso, de público e de movimentação financeira, a 3ª Expo Turismo Rondônia 2026, que, este ano, foi no complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, brilhou pela diversidade dos estandes. A feira reuniu empreendedores, especialistas, representantes de municípios e profissionais do setor. Estiveram presentes mais de 10 mil visitantes ao longo dos três dias para visitar 85 estandes, especialistas e empreendedores do setor. O evento ampliou a visibilidade dos negócios, estimulou parcerias e incluiu palestras, workshops, aulas-show, debates, oficinas, talk shows e capacitações, além da exposição de produtos, serviços e experiências turísticas. Também a pesca esportiva foi o grande destaque com a presença de Nelson Nakamura e os filhos Renan e Vitor Nakamura, referências na pesca esportiva. Nelson Nakamura e os filhos participam da Expo pela terceira vez, com presença em workshops e atividades voltadas ao segmento, ao lado de outros especialistas do setor. O evento foi realizado pel0 governo de Rondônia por meio da Secretaria de Estado do Turismo (Setur), em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio-RO) e o apoio da Prefeitura Municipal de Porto Velho.  O governador Marcos Rocha destacou sobre o evento a importância de valorizar os atrativos regionais e criar oportunidades para empreendedores e municípios por meio do turismo. AS CRIANÇAS AINDA SÃO MAIORIA EM RONDÔNIA O Dia das Crianças foi muito comemorado em Rondônia, mas, é preciso frisar que, no Brasil, hoje, existem 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais contra apenas 26,4 milhões de crianças de até 9 anos. É uma diferença de 10 milhões a favor dos idosos, o que reflete a virada demográfica que começou em 2020 e deve se aprofundar em 2040, quando serão 2,5 idosos para cada criança. Em 2000, as crianças eram 19,8% da população. Hoje são somente 12,3%, ou 1 em cada 8 brasileiros. Já em 18 das 27 unidades da federação há mais idosos do que crianças. O Rio Grande do Sul lidera com a maior proporção de idosos: possui 1,96 idoso por criança. Já Rondônia, a proporção é de 1,18 criança de até 9 anos para cada idoso com 60 anos ou mais (ou cerca de 85 idosos para cada 100 crianças nessa faixa etária). EM SETEMBRO BALANÇA COMERCIAL DE RONDÔNIA APRESENTA RESULTADO NEGATIVO O comércio exterior de Rondônia, em setembro, segundo o Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), fechou o mês com déficit de US$ 59,5 milhões, valor proveniente de US$ 195,7 milhões em vendas e US$ 255,2 milhões, mas, no acumulado de janeiro a setembro deste ano, o resultado permanece favorável ao Estado, com saldo positivo de US$ 560,2 milhões. O resultado de setembro decorre do aumento das importações que chegou perto de 40% em relação ao mesmo período de 2025. O que também contribuiu, porém em menor proporção, foram as limitações tarifárias sobre a carne bovina na China, que atingiu o teto da cota anual, e passou a receber uma sobretaxa de 55% em cima da taxa base de 12%, totalizando a alíquota de 67%. Para contornar as restrições no país asiático, frigoríficos e produtores locais redirecionaram seus carregamentos para destinos como Chile, Estados Unidos e Canadá. A pauta de embarques permaneceu concentrada na carne bovina, responsável por 58,1% das vendas, e o milho, com 23,3%. O mercado de café também apresentou teve expansão contínua, com 7,3% da pauta mensal. O café ganhou protagonismo na balança comercial pelo forte crescimento em 2026. O volume total do grão embarcado até o momento perfaz quase o dobro de tudo o que foi exportado ao longo do ano de 2025. Nas importações, a China respondeu por 41,2% do total acumulado no ano, somando US$ 953,6 milhões, acompanhada por parceiros como Argentina e Estados Unidos. Os valores elevados de compras externas decorrem do modelo tributário de importação escritural garantido pela legislação estadual. Neste sistema, as empresas registradas em Rondônia efetuam o recolhimento de tributos no Estado, enquanto os produtos entram no país por portos de outras regiões e seguem para o destino final, sem significar consumo direto pela população local. UNIVERSIDADES EM XEQUE A atual disputa eleitoral está desnudando, de uma forma até burlesca, o que acontece nas universidades brasileiras e como essas se encontram distantes dos problemas reais do país. É fato que a tecnologia e o progresso estão obrigando a academia a mudar o que fazem. Porém, com as manifestações estudantis e os problemas que surgem internamente de incêndios e uso das instalações para politicagem, a questão que aflora se tornou mais grave. Começa-se a questionar não somente “apenas o que fazem” e sim também “os que fazem”. Há professores passando vergonha tanto pelos discursos ultrapassados como pela demonstração de falta de conhecimento demonstrando que o saber está realmente escasso nas universidades. E isto se demonstra tanto pela queda das instituições nos rankings de classificação, em relação as de outros países, como pela deterioração visível dos campus e instalações onde as pichações, a falta de manutenção e a sujeira dão uma triste demonstração de como se encontram locais que deveriam ser espelhos para a sociedade. E o mais preocupante é que esta desvalorização das universidades se visualiza quando há um declínio de uma das suas principais razões de existência, que é a realização de pesquisas. Antes o setor produtivo precisava dos recursos que as universidades possuíam, da aliança entre ensino e pesquisa, inclusive para sustentar os salários das pessoas capazes de realizar este tipo de pesquisa. Agora, tudo indica que, com a crescente perda de importância das pesquisas universitárias, as empresas apostam mais nos seus próprios recursos e de que a inteligência artificial será cada vez mais capaz de realizar grande parte das pesquisas necessárias. Por isto diminuem a procura por vagas, […]

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