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Brasil registra 615 mortes por Covid-19 em 24h, 600.425 óbitos totais, 18.172 novos casos e 21.550.730 casos totais

País atinge nova marca com óbitos em desaceleração e vacinação em alta, mas com governo Bolsonaro continuando a difundir negacionismo, tratamentos ineficazes e paranoia sobre imunizantes.

O Brasil cruzou nesta sexta-feira (08/10) a marca dos 600 mil mortos por covid-19. Foram mais 615 mortes registradas nas últimas 24 horas, elevando o total para 600.425, segundo dados do Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass). No mesmo dia, o país chegou a marca de 21.550.730 milhões de casos da doença, com o registro de 18.172 novas infecções.

A primeira morte oficial associada à covid-19 no Brasil foi a de uma mulher de 57 anos, em São Paulo, em 12 de março de 2020. Desde então, é como se toda a população de Joinville, a maior cidade de Santa Catarina, tivesse desaparecido.

Apenas um país acumula mais mortes do que o Brasil: os Estados Unidos, que recentemente superaram a marca de 700 mil óbitos por covid-19. Os EUA, no entanto, têm uma população 55% maior que a do Brasil e contam com mecanismos mais eficientes de notificação.

Especialistas também alertam que os números reais de casos e mortes no Brasil são maiores, em razão da falta de testagem em larga escala e da persistente subnotificação. Em junho, quando o Brasil superou a marca de 500 mil mortes oficialmente notificadas, estudos indicavam que o país provavelmente já contava mais de 600 mil óbitos por covid-19.

Desta vez, porém, a nova trágica marca oficial de mortos por covid-19 no Brasil pelo menos ocorre num momento de desaceleração. Apenas 51 dias separaram as marcas de 400 mil e 500 mil mortes notificadas. Já a divisa das 600 mil mortes ocorre 111 dias depois de o país ter superado meio milhão de vítimas.

Após início tumultuado, vacinação avança

Essa desaceleração no ritmo de mortes coincide com o avanço veloz da vacinação no país, que deslanchou apesar da demora do governo federal em comprar imunizantes e da má organização do Ministério da Saúde no início da campanha de vacinação. No momento, 69,78% da população tomou pelo menos uma dose da vacina e 45,5% completaram o esquema vacinal. Mais de 1,9 milhão tomaram uma dose de reforço.

Em 19 de junho, quando o país ultrapassou as 500 mil mortes registradas, 29,61% da população havia tomado pelo menos uma dose e apenas 11,45% haviam completado a imunização.

A média móvel de mortes nos últimos sete dias estava em 453 nesta sexta-feira – a menor desde 13 de novembro. Quando o Brasil superou a marca de 500 mil mortes, a média móvel estava acima da casa dos 2 mil óbitos. Os números também contrastam com as taxas de abril, o mês mais mortífero da pandemia, quando o país chegou a atingir uma média móvel de 3.125 mortes.

No fim de julho, o Brasil voltou a registrar média móvel de mortes abaixo de mil, após um período de 191 dias seguidos acima dessa marca.

O estado de São Paulo contava no início desta semana com  4.997 internados por covid-19 – menor dos últimos 18 meses e quase cerca de sete vezes menor que o registrado no pico da segunda onda, que teve mais de 31 mil pacientes com a doença. As taxas de ocupação de leitos de UTI também estavam entre as menores desde o início da pandemia, com 31,4% no estado e 39,5% na grande São Paulo.

“Podemos esperar números ainda mais animadores conforme chegarmos em 70 a 80% da população completamente vacinada. Pela primeira vez desde março do ano passado, apesar do esforço contrário e constante do governo federal, temos um horizonte favorável à frente”, escreveu nesta semana o biólogo e divulgador científico Átila Iamarino em artigo na Folha de S.Paulo.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada em julho, 94% dos brasileiros acima de 16 anos já teriam se vacinado ou que pretendiam se imunizar. Em dezembro de 2020, antes do início da campanha e quando o presidente Jair Bolsonaro fez seguidos ataques explícitos contra os imunizantes, esse percentual chegou ao seu nível mais baixo, 73%. No entanto, em março, com as mortes por covid-19 explodindo e o país superando a marca de 300 mil mortes, a adesão às vacinas já havia saltado para 89%.

Bolsonaro continua a sabotar esforços

A alta adesão à vacinação se impôs apesar do negacionismo e dos ataques regulares de Jair Bolsonaro às vacinas. Num ciclo que se repete desde 2020, o presidente continua a alimentar paranoia sobre os imunizantes, minimizar o número de óbitos e promover aglomerações e drogas ineficazes contra a covid-19, além de mentir sobre o papel do governo federal no combate à pandemia.

Bolsonaro mostrou nos últimos meses que nem mesmo a superação da marca de meio milhão de mortos em junho teve algum impacto em como o Planalto encara a doença. Ele demorou dois dias para expressar algum tipo de condolência sobre a marca de meio milhão de óbitos, e quando o fez logo emendou a fala com declarações defendendo drogas desacreditadas contra a covid-19, como a hidroxicloroquina e a ivermectina, aproveitando ainda a ocasião ainda para ofender uma jornalista.

Na mesma semana em que aquela marca foi batida, Bolsonaro ainda abaixou a máscara contra covid-19 de um menino em evento no Rio Grande do Norte e pediu para que uma menina também baixasse a sua. Nas semanas seguintes, chegou a usar a morte de celebridades idosas como supostos exemplos da ineficiência da Coronovac – a vacina promovida pelo governo de São Paulo, chefiado pelo seu rival João Doria.

Nesta sexta-feira, horas antes da marca de 600 mil mortes ser atingida, Bolsonaro voltou a alimentar paranoia sobre os imunizantes, desencorajando a imunização em jovens de até 20 anos.

“O número de pessoas que morre por covid abaixo de 20 anos, tá, hein, Queiroga, 99,999 alguma coisa não é isso Queiroga? Então por que vacina, meu Deus do céu? Será que é um negocio que estamos vendo em jogo no Brasil e no mundo?”, disse Bolsonaro, em evento ao lado do seu ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

No final de setembro, Bolsonaro chegou a receber dois negacionistas alemães no Planalto para uma entrevista na qual repetiu mentiras e distorções sobre a pandemia, afirmando, por exemplo, que o coronavírus “apenas encurtou a vida delas [vítimas] por alguns dias ou algumas semanas”.

Desde o início do ano, Bolsonaro também afirmou repetidamente que a melhor forma de se proteger contra o vírus é ser contaminado, reiterando a tese da imunidade de rebanho pela infecção. “Eu disse para as pessoas não terem medo, que enfrentassem o vírus”, disse Bolsonaro aos negacionistas alemães.

No fim de junho, Pedro Hallal, epidemiologista e pesquisador da Universidade Federal de Pelotas, afirmou à CPI que quatro em cada cinco mortes pela doença no país seriam evitáveis, caso o governo federal tivesse adotado outra postura – como, por exemplo, apoiando o uso de máscaras, medidas de distanciamento social, campanhas de orientação e ao mesmo tempo acelerando a aquisição de vacinas.

Naquele momento, o país acumulava 508 mil mortes. Ou seja, de acordo com as estimativas do pesquisador, até 400 mil mortes poderiam ter sido evitadas até julho. Só a demora na compra de vacinas – que deixou o país para trás de outras nações na vacinação em dezembro e início de janeiro –, teria provocado 95.500 mortes evitáveis, segundo Hallal.

Nesta quinta-feira, a Fiocruz destacou em boletim a queda nos números de mortes e casos de covid-19 nas últimas semanas, mas por outro lado apontou que ainda é essencial manter em vigor medidas preventivas para impedir que as taxas de infecção e mortes voltem a aumentar. Entre as medidas citadas pela fundação estão uso de máscaras e distanciamento social, além dos passaportes sanitários – justamente três medidas que Bolsonaro vem combatendo.

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) pediu nesta sexta-feira que os gestores do SUS mantenham a obrigatoriedade do uso de máscaras de proteção facial. “É preciso que estejamos atentos às experiências frustrantes de alguns países que, acreditando ter superado os riscos, suspenderam a obrigatoriedade do uso de máscaras, afrouxaram as medidas de prevenção e, por isso mesmo, tiveram recrudescimento importante do número de casos e de óbitos, obrigando-os a retroceder”, disse.

No entanto, Bolsonaro, um adversário do uso de máscaras, vem demonstrando impaciência com a manutenção das regras e chegou a pressionar publicamente o Ministério da Saúde a elaborar um estudo que embase o fim da obrigatoriedade.

Sem mudança de rumo no governo

Enquanto líderes de outros países, como o ex-premiê israelense Benjamin Netanyahu ou a chanceler federal alemã Angela Merkel deram o exemplo ao se vacinar na frente das câmeras ou divulgando o feito, Bolsonaro continua a ser o único chefe de Estado ou de governo do G20 que ainda não se imunizou. Ele afirma, ainda, que não pretende fazê-lo, como se isso fosse um problema exclusivamente seu.

A atitude causou vexame internacional quando Bolsonaro viajou a Nova York para participar da abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Sem possuir uma comprovação de vacinação, ele se viu barrado de áreas internas de restaurantes e foi alvo de críticas do prefeito da cidade. Num gesto de populismo para sua base radical, deixou-se fotografar comendo pizza na calçada com seus ministros.

O desleixo da comitiva com o coronavírus foi escancarado quando três membros da comitiva, incluindo o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, um diplomata do cerimonial e o deputado Eduardo Bolsonaro testaram positivo para covid-19 – no que pareceu uma repetição de uma viagem de Bolsonaro aos EUA em março de 2020, quando duas dezenas de membros da comitiva voltaram doentes.

Bolsonaro ainda usou a tribuna da ONU para defender mais uma vez seu pacote de drogas ineficazes contra a covid-19. “Não entendemos por que muitos países se colocaram contra o tratamento precoce. A história e a ciência saberão responsabilizar a todos”, disse na ocasião. Hoje, o “tratamento precoce” só é defendido mundo afora em círculos conspiracionistas e de extrema direita, além de Bolsonaro e seu círculo.

Queiroga ainda se destacou durante o périplo aos EUA por fazer um gesto obsceno a um grupo de manifestantes antibolsonaristas em Nova York. Em março, sua indicação ao posto de ministro da Saúde foi encarada com algum alívio por secretários estaduais de Saúde e até setores da imprensa, já que, ao contrário do seu antecessor, o general Eduardo Pazuello, ele tinha experiência na área de saúde.

No entanto, Queiroga já deu várias demonstrações de seguir o mesmo comportamento servil de Pazuello. O exemplo mais recente ocorreu em setembro, quando o presidente interveio pessoalmente no Ministério da Saúde para interromper a vacinação de adolescentes,  que vinha sendo realizada por estados e municípios. Segundo vários veículos da imprensa brasileira, Bolsonaro tomou a iniciativa após ouvir declarações de jornalistas de extrema direita da Rádio Jovem Pan que regularmente espalham mentiras e alimentam temores infundados sobre vacinas.

O ministro Queiroga, assim como havia ocorrido diversas vezes com seu antecessor Pazuello, aquiesceu às ordens sem base cientifica de Bolsonaro. O episódio exigiu intervenção do Supremo Tribunal Federal, o qual decidiu que estados e municípios têm autonomia para decidir sobre a imunização de adolescentes de 12 a 17 anos.

Diante desse histórico do governo e a persistência das atitudes negacionistas de Bolsonaro,na terça-feira, o relator da CPI da Pandemia, Renan Calheiros, declarou que vai indiciar o presidente Jair Bolsonaro e mais 29 indivíduos por ações e omissões durante a pandemia.

Ainda nesta quinta-feira, a CPI aprovou um requerimento para pedir esclarecimentos a Queiroga sobre o motivo de a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) ter retirado da pauta a análise de um relatório sobre o “tratamento precoce”.

Os senadores suspeitam que tenha sido feito algua pressão para que os técnicos deixassem de avaliar na data prevista o documento, que  aponta para a não utilização de cloroquina e ivermectina no tratamento da covid-19.

Incógnita em 2022

O ministro Marcelo Queiroga afirmou nesta semana que o governo federal está considerando para 2022 uma campanha de vacinação contra a covid-19. No entanto, ele não detalhou como o governo está negociando a compra de mais doses para imunizar os brasileiros e qual é o cronograma de entrega das doses.

As falas não foram consideradas tranquilizadores. No mesmo dia, a CPI da Pandemia aprovou um pedido de informações ao Ministério da Saúde sobre o planejamento para vacinação contra a covid-19 em 2022 e para que o órgão justifique sua intenção de descontinuar o uso da CoronaVac no próximo ano.  A CPI ainda aprovou um requerimento para que fabricantes de vacina informem sobre tratativas mantidas com o governo para o fornecimento de imunizantes  em 2022.

O temor de uma repetição do quadro do fim de 2020 e início de 2021, quando ficou claro que o governo não havia se esforçado para comprar vacinas de grandes laboratórios e em alguns casos até mesmo ignorou ofertas, também foi levantado no fim de agosto, quando o governo enviou o projeto de Orçamento de 2022 ao Congresso. O texto só reservava R$ 3,943 bilhões para a compra de vacinas contra a covid-19 – uma queda de 85% em comparação ao autorizado para 2021 (R$ 27,8 bilhões).

No segundo semestre de 2020, a equipe econômica do governo desdenhou de advertências de uma segunda onda da pandemia, enquanto o Ministério da Saúde, então sob o comando de Pazuello, ignorava ofertas de grandes laboratórios.

Em novembro, pouco mais de um mês antes de o Brasil cruzar a marca de 200 mil mortes, o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, chegou a afirmar explicitamente, sem citar qualquer argumento cientifico, que a probabilidade de segunda onda da doença no país era “baixíssima”. Em dezembro, o ministro Paulo Guedes fez afirmações semelhantes, apesar da advertência de cientistas sobre novas ondas mortíferas da doença, que acabaram se concretizando.

FONTE: DEUTCHE WELLE

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

CHARGE – CARTUNISTA

COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • COLUNA TEIA DIGITAL: As perspectiva de inflação pioram segundo Boletim Focus – Por Silvio Persivo

    Sobre os fatos hediondos e lamentáveis. “Aconteceu e, portanto, pode voltar a acontecer: está a essência do que temos para dizer” (Primo Levi). BLACK FRIDAY IMPULSIONA COMÉRCIO DE RONDÔNIA Segundo a  Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio/RO). a Black Friday de 2026 deve movimentar cerca de R$ 736 milhões em Rondônia. Para Porto Velho, a estimativa é de R$ 147 milhões em vendas, com um crescimento previsto de 3,2%.  No cenário nacional, um estudo da Stefanini Marketing estimou que a data poderá gerar R$ 14,47 bilhões em vendas e 18,3 milhões de pedidos. Uma sondagem da Fecomércio/RO aponta que 68,4% dos consumidores pretendem fazer compras. Entre os produtos mais procurados estão roupas (51,8%), eletrodomésticos (31,9%) e eletrônicos (23%). A pesquisa também aponta que 48,1% planejam pagar à vista, enquanto 50,9% pretendem antecipar as compras para a semana anterior à Black Friday. Para a Fecomércio/RO, a movimentação antecipada pode estender o período de promoções e contribuir para as vendas de fim de ano. “A antecipação das compras deve ampliar o período de promoções e, este ano, inclusive com o apoio direto do Sebrae de Rondônia, os empresários se prepararam mais. Daí a suposição de que a Black Friday deve impulsionar as vendas de fim de ano”, disse o presidente da entidade, Raniery Araújo Coêlho. PREÇO DO DIESEL AUMENTA QUASE 2% EM RONDÔNIA O Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), que acompanha o comportamento de preços nos postos de combustível, aponta que Rondônia registrou um cenário de alta nos preços dos combustíveis em outubro, na comparação com setembro, com exceção do etanol.  O diesel comum subiu 1,93%, custando em média R$ 7,39 já o S-10 ficou 1,87% mais caro, com preço médio de R$ 7,61, enquanto a gasolina subiu 0,13%, alcançando R$ 7,45. No sentido oposto, o etanol recuou 0,58%, cotado a R$ 5,14. Segundo Vinicios Fernandes, Diretor de Unidades de Negócios da Edenred Mobilidade, “Em outubro, Rondônia apresentou uma tendência de alta nos preços da maior parte dos combustíveis, com destaque para o diesel, que registrou os avanços mais expressivos no período. Com a queda registrada no período, o etanol se consolida como a opção mais econômica e sustentável para os motoristas rondonienses”. ENCONTRO DE CATADORES DE MATERIAIS RECICLÁVEIS DE RONDÔNIA O governo do estado realizou na segunda-feira (2) o 4º Encontro Estadual de Catadores de Materiais Recicláveis, entre os municípios de Presidente Médici e Ji-Paraná. Durante o evento, encerrado na terça-feira (3), cerca de 100 profissionais organizados em cooperativas, associações ou de forma individual participaram da programação, coordenada pela Secretaria de Estado da Mulher, da Família, da Assistência e do Desenvolvimento Social (Seas), com palestras, visita técnica, atividades práticas e levantamento de demandas que ampliem a geração de renda, qualifiquem a atuação das cooperativas e associações, difundam práticas seguras de trabalho e consolidem propostas para o desenvolvimento da política pública de reciclagem inclusiva no estado.  A titular da Seas, Luana Rocha reforçou, que com estes encontros o governo, por meio da Seas, contribui com a organização dos catadores no estado para o fortalecimento das cooperativas e a construção de uma pauta unificada em defesa da reciclagem inclusiva em Rondônia. ““A escolha de Presidente Médici atendeu ao pedido dos próprios catadores, apresentado no Fórum Estadual de Lixo e Cidadania, pelo fato de o município estar mais centralizado, favorecendo a participação de um número maior de catadores. Nesta edição foi inserida pela primeira vez a oficina do projeto “Recicla ON”, do Instituto Gea, do estado de São Paulo, focada na capacitação e estruturação de cooperativas de catadores para a destinação correta de resíduos eletroeletrônicos (lixo eletrônico). AS PERSPECTIVAS DE INFLAÇÃO PIORAM SEGUNDO O BOLETIM FOCUS A mais recente edição do Boletim Focus mostra uma piora drástica das expectativas dos investidores com relação à inflação, aos juros e à taxa de câmbio. A piora se inicia pela inflação. Há quatro semanas, a estimativa este ano foi de 5,01%. Na semana passada, subiu para 5,19% e, nesta edição, avançou para 5,22%, bastante acima do teto da meta.  A projeção para 2027 também piorou. Nas últimas semanas, a expectativa estave ao redor de 4,3%. Acima da meta de 3%, mas dentro do limite aceitável. Agora, a projeção avançou para 4,76%, acima do teto de 1,5% da meta. A alta prevista é menos intensa nos anos de 2028 e de 2029. Porém, as estimativas para esses dois anos se situavam ao redor de 3,5% e agora estão ao redor de 4%, também  acima da meta. RESILIÊNCIA DA ECONOMIA GLOBAL DIMINUI AFIRMA FMI O documento final da 54ª reunião do Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC), nas reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, alerta que a economia global resiste a choques, mas sua capacidade de absorver novas turbulências diminui, após o desmantelamento da ordem geopolítica, conflitos e danos às cadeias de suprimentos, pela pandemia e por guerras. Assim o FMI pede políticas mais consistentes, reconstrução das reservas fiscais, estabilidade de preços e cooperação entre nações. O World Economic Outlook projeta um crescimento mundial de 3,1% em 2026 e 3,4% em 2027, e inflação global de 4,7% neste ano, recuando para 4,1% no próximo. Há diferenças: países beneficiados por investimentos em IA e condições comerciais favoráveis têm perspectivas melhores do que importadores de energia e economias de baixa renda. Interessante é que o documento destaca os riscos do endividamento público: a alta dos rendimentos dos títulos soberanos, somada à dívida elevada, pode encarecer o crédito. Recomenda consolidação fiscal e marcos fiscais, preservando investimentos prioritários e a proteção social; transferências temporárias e direcionadas seriam mais eficientes do que controles generalizados de preços. Na política monetária, pede estabilidade de preços, decisões baseadas em dados, comunicação clara e independência dos bancos centrais. A inteligência artificial impulsiona investimentos, comércio e produtividade, mas seus benefícios tendem a ser desiguais; revisões nas expectativas de rentabilidade podem provocar correções nos mercados e ampliar disparidades. AUTOR: SILVIO PERSIVO –  TEIA DIGITAL

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