Brasil Produtivo

Brasil inicia maior projeto de pesquisa já elaborado para desenvolver aquicultura

O projeto é o terceiro maior já financiado pelo BNDES Funtec

Foi iniciado o maior projeto de pesquisa em aquicultura já realizado no País. O BRS Aqua envolve 22 centros de pesquisa, 50 parceiros públicos e 11 empresas privadas – números que ainda devem aumentar ao longo de sua duração. Trata-se de um marco em investimentos no tema, fruto da parceria entre Embrapa, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a atual Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca, ligada à Presidência da República, (SEAP).

O projeto é o terceiro maior já financiado pelo BNDES Funtec – linha de crédito não reembolsável a projetos de pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e inovação. Serão R$ 45 milhões financiados pelo banco estatal, R$ 6 milhões da Embrapa e R$ 6 milhões da Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca, totalizando R$ 57 milhões. A meta, ao fim dos quatro anos de duração, é estabelecer a infraestrutura e a pesquisa científica necessárias para atender demandas do mercado de aquicultura.

“Esse projeto é de grande importância não só para o nosso centro de pesquisa, mas também para a Embrapa inteira e para o Brasil. É a comprovação de que a aquicultura chegou para ficar e tornou-se uma área estratégica no País”, comemora Eric Arthur Bastos Routledge, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), unidade que coordena o BRS Aqua.

Quatro espécies estudadas

No Brasil, um dos maiores desafios em aquicultura está na falta de pacotes tecnológicos para a criação de importantes espécies aquícolas. Por isso, o projeto focará na pesquisa do tambaqui (Colossoma macropomum), tilápia (Oreochromis niloticus), camarão (Litopenaeus vannamei) e bijupirá (Rachycentron canadum), que apresentam grande demanda de mercado ou possuem alto potencial de produtividade.

“Essas espécies se encontram em diferentes patamares tecnológicos e para cada uma delas haverá uma abordagem diferente”, explica a pesquisadora e coordenadora do projeto, Lícia Maria Lundstedt, da Embrapa Pesca e Aquicultura. Segundo ela, enquanto a tilápia possui um pacote tecnológico mais avançado, as pesquisas com o bijupirá ainda são incipientes no País, embora seja uma espécie nativa do litoral brasileiro e tenha potencial para ser uma opção para o desenvolvimento da piscicultura marinha nacional.

Reforço na infraestrutura de pesquisa

“Cada uma dessas espécies por si só renderia vários projetos. De qualquer forma, o BRS Aqua vai gerar os mais diversos produtos, entre eles um incremento da infraestrutura para futuras pesquisas em aquicultura na Embrapa”, explica Lundstedt. A Embrapa Tabuleiros Costeiros (SE), por exemplo, terá um novo laboratório para pesquisar espécies marinhas; a Embrapa Meio Norte (PI), que já trabalha com camarão, também terá melhorias em suas instalações para pesquisas na área e várias outras unidades da Embrapa receberão um reforço na infraestrutura para incrementar as pesquisas em aquicultura.

Para atender às mais diversas demandas, o BRS Aqua funciona como um grande guarda-chuva sob o qual há oito projetos componentes (Germoplasma, Nutrição, Sanidade, Manejo e gestão ambiental, Tecnologia do pescado, Economia do setor aquícola, Transferência de tecnologia e Gestão), com pesquisas distribuídas em diversos centros de pesquisa da Embrapa e polos produtivos.

Formação de banco de germoplasma

“Um dos destaques em genética é a geração de informações científicas e tecnológicas que tenham impacto direto na produção de alevinos (filhotes) de tambaqui com melhor qualidade, o que vai refletir em redução da mortalidade e aumento na produção”, explica Lundstedt, acrescentando que o projeto pretende estabelecer uma coleção de germoplasma qualificado de tambaqui na Embrapa Pesca e Aquicultura para futuros investimentos públicos ou privados em melhoramento genético.

Segundo a pesquisadora, atualmente o setor produtivo do tambaqui utiliza germoplasma pouco caracterizado cientificamente e sem melhoramento genético. Para que a produção avance, é necessário que o germoplasma seja geneticamente melhorado quanto às características produtivas, como melhoria nas taxas de crescimento, maior resistência a doenças, adaptação a sistemas intensivos de cultivo, entre outros avanços.

Em sanidade, o projeto pretende mapear os mais importantes desafios sanitários do tambaqui e seus fatores de risco para propor boas práticas de manejo, sistemas de diagnóstico rápido de doenças e desenvolver seus respectivos tratamentos. Um dos principais resultados nessa área será a identificação dos fatores de risco preponderantes relacionados à mortalidade do camarão, causada pela doença da mancha branca, a fim de propor medidas para evitar ou mitigar os efeitos em sua produção no Nordeste.

Causada por um vírus, a doença se manifesta na fase inicial de desenvolvimento do crustáceo, calcificando-o, provocando falta de apetite, letargia e manchas brancas em sua casca. Em seguida, o animal morre e contamina os outros. Com isso, produções inteiras são perdidas antes mesmo de chegarem ao consumidor. Um dos casos mais recentes da doença ocorreu no Ceará em meados de 2017. Em seis meses, 30 mil toneladas de camarão foram perdidas – o equivalente a 60% da produção do período.

Em nutrição, o foco será em tambaqui e tilápia. Serão definidos protocolos alimentares para a produção intensiva do tambaqui, nas fases de larva, engorda e abate, em viveiros e tanques-rede, tendo por base a capacidade de digestão dos ingredientes da ração e as exigências nutricionais do peixe. Além disso, o projeto abordará aspectos relacionados à tecnologia de processamento de rações, uma vez que há diversos parâmetros que precisam ser cuidadosamente monitorados para obtenção de produtos de alta qualidade. Também serão avaliadas nutricionalmente as rações disponíveis no mercado. É justamente esse insumo que impacta em até 82% nos custos de produção, dependendo do sistema adotado. Na prática, o produtor acaba gastando mais do que o necessário para engordar o animal.

Mudanças climáticas e piscicultura

Questões relacionadas ao aquecimento global e à sustentabilidade ambiental igualmente estão no radar do projeto, que prevê o desenvolvimento de equipamentos para monitoramento da liberação dos gases de efeito estufa na piscicultura. Também está prevista a análise da relação da produção em tanques rede, suas emissões de gases de efeito estufa e a qualidade da água. O acompanhamento das variáveis físicas, químicas e biológicas de sedimentos e da água, incluindo contaminação do solo e tratamento de efluentes gerados pela produção de peixes, também será alvo de estudos. Da mesma forma, será desenvolvido um sistema para tratamento de efluentes da produção de peixes.

Novos produtos de pescado

O BRS Aqua vai atuar ainda em diferentes aspectos relacionados ao processamento do pescado. O projeto vai trabalhar no desenvolvimento de soluções tecnológicas para o abate eficiente e humanitário de peixes, padronização e controle de qualidade de filés, uso de resíduos e co-produtos do processamento na elaboração de materiais com valor agregado. Do mesmo modo, haverá um estudo de modelos para gestão de resíduos sólidos na indústria de processamento do pescado.

Além dos gargalos tecnológicos, a aquicultura brasileira também carece de dados e análises econômicas.  “Por se tratar de um setor relativamente recente, se comparado a cadeias agroindustriais tradicionais como a de outras carnes ou grãos, há poucas informações sobre diversos aspectos da cadeia do pescado”, justifica o pesquisador da Embrapa Manoel Xavier Pedroza Filho, responsável pelo segmento de economia do projeto. Segundo ele, faltam dados sobre viabilidade econômico-financeira dos sistemas de cultivo, estrutura da cadeia produtiva, risco de investimento, impacto econômico da adoção de tecnologias, além de dados macroeconômicos da aquicultura nacional (empregos, PIB, etc).

“A ausência dessas informações dificulta a tomada de decisões dos setores público e privado, uma vez que são fundamentais não apenas para orientar os investimentos, mas também subsidiar a formulação de políticas públicas para o setor”, ressalta o especialista. O BRS Aqua pretende gerar informações econômicas das quatro espécies contempladas no projeto, por meio de análises de viabilidade econômica de sistemas de produção, impacto de adoção de tecnologias, risco de investimento, entre outras.

Grande potencial nacional

Apesar de possuir 12% da água doce mundial e uma costa litorânea com mais de 8.500 quilômetros de extensão, a produção brasileira de animais aquáticos é inferior ao seu potencial. As causas desse desempenho são diversas e incluem baixa qualidade das matrizes reprodutoras; poucos estudos sobre a capacidade de suporte de ambientes de cultivo (número máximo de peixes ideal para uma determinada área); limitada assistência técnica; deficiência nas formas de controle e monitoramento das enfermidades de animais aquáticos; utilização incipiente de resíduos para produção de derivados; falta de tratamento e aproveitamento de efluentes de aquicultura e de padronização de indicadores para o licenciamento ambiental nos diferentes ambientes onde a aquicultura é praticada.

“Fizemos um levantamento de informações sobre o setor entre 2012 e 2013, que gerou dois estudos que revelaram todo o potencial na área de aquicultura do Brasil. Isso foi na época do Ministério da Pesca e Aquicultura, que desejava investir no desenvolvimento aquícola”, recorda Marcos Rossi Martins, chefe do Departamento da Área de Indústria e Serviços do BNDES.

A análise constatou grandes gargalos e oportunidades. A variedade de peixes da Bacia do Rio Amazonas, por exemplo, é um diferencial para o Brasil atingir novos mercados. O clima é outra vantagem a favor do País, cujas condições para o cultivo da tilápia – uma das espécies de peixe mais consumidas no mundo – são excelentes. Outros cultivos, como o de crustáceos e moluscos, também têm potencial de escala no Brasil. No entanto, a indústria de pescados ainda é incipiente no País, tanto na pesca quanto na aquicultura.

Segundo dados de 2014 de um relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO/ONU), o consumo mundial na aquicultura é da ordem de 20 kg per capta, enquanto o de carne bovina atingiu menos da metade: 6,54 kg. Nesse cenário é fácil perceber como o mercado da pesca e da aquicultura é promissor no País.

“A demanda mundial por pescados vem crescendo de forma acelerada em decorrência do aumento populacional e da busca por alimentos mais saudáveis. No Brasil isso também ocorre. Em 2003, o consumo era inferior a 6,5 quilos de pescado por pessoa ao ano, hoje esse valor subiu para nove quilos per capta. Se a população ingerisse a quantidade recomendada pela OMS, que é de 12 quilos, isso já representaria um impacto no consumo de 5.722 mil toneladas”, calcula Jaldir Lima, um dos coordenadores do estudo do BNDES.

Expectativa de melhora na competitividade

O projeto foi bem recebido também por representantes do setor produtivo. Para Antônio Albuquerque, diretor técnico da Associação Cearense dos Criadores de Camarão (ACCC), ele é um sinal de que a pesquisa está atenta às demandas do mercado. “Essa iniciativa da Embrapa de ouvir vários atores, incluindo outras cadeias produtivas, para saber quais são as principais demandas, é muito positiva. Também é muito útil que a pesquisa saiba qual tipo de apoio o setor produtivo pode dar”, diz.

Francisco Medeiros, diretor presidente da Associação Brasileira da Piscicultura, a Peixe BR, tem muitas expectativas. “Temos acompanhado a elaboração dessa proposta desde 2015. Trata-se de um setor carente de soluções que ofereçam melhor competitividade. No Brasil, temos grandes pesquisadores em aquicultura, no entanto, observamos baixa utilização de tecnologias geradas por essas instituições de pesquisa”, analisa ele. “Temos um grande problema de competitividade e esperamos que todas essas ações tragam soluções que promovam melhores condições de mercado. Vamos acompanhar de perto a execução desse trabalho”, resume.

FONTE: SECOM – EMBRAPA

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

CHARGE – CARTUNISTA

COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • COLUNA TEIA DIGITAL: As perspectiva de inflação pioram segundo Boletim Focus – Por Silvio Persivo

    Sobre os fatos hediondos e lamentáveis. “Aconteceu e, portanto, pode voltar a acontecer: está a essência do que temos para dizer” (Primo Levi). BLACK FRIDAY IMPULSIONA COMÉRCIO DE RONDÔNIA Segundo a  Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio/RO). a Black Friday de 2026 deve movimentar cerca de R$ 736 milhões em Rondônia. Para Porto Velho, a estimativa é de R$ 147 milhões em vendas, com um crescimento previsto de 3,2%.  No cenário nacional, um estudo da Stefanini Marketing estimou que a data poderá gerar R$ 14,47 bilhões em vendas e 18,3 milhões de pedidos. Uma sondagem da Fecomércio/RO aponta que 68,4% dos consumidores pretendem fazer compras. Entre os produtos mais procurados estão roupas (51,8%), eletrodomésticos (31,9%) e eletrônicos (23%). A pesquisa também aponta que 48,1% planejam pagar à vista, enquanto 50,9% pretendem antecipar as compras para a semana anterior à Black Friday. Para a Fecomércio/RO, a movimentação antecipada pode estender o período de promoções e contribuir para as vendas de fim de ano. “A antecipação das compras deve ampliar o período de promoções e, este ano, inclusive com o apoio direto do Sebrae de Rondônia, os empresários se prepararam mais. Daí a suposição de que a Black Friday deve impulsionar as vendas de fim de ano”, disse o presidente da entidade, Raniery Araújo Coêlho. PREÇO DO DIESEL AUMENTA QUASE 2% EM RONDÔNIA O Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), que acompanha o comportamento de preços nos postos de combustível, aponta que Rondônia registrou um cenário de alta nos preços dos combustíveis em outubro, na comparação com setembro, com exceção do etanol.  O diesel comum subiu 1,93%, custando em média R$ 7,39 já o S-10 ficou 1,87% mais caro, com preço médio de R$ 7,61, enquanto a gasolina subiu 0,13%, alcançando R$ 7,45. No sentido oposto, o etanol recuou 0,58%, cotado a R$ 5,14. Segundo Vinicios Fernandes, Diretor de Unidades de Negócios da Edenred Mobilidade, “Em outubro, Rondônia apresentou uma tendência de alta nos preços da maior parte dos combustíveis, com destaque para o diesel, que registrou os avanços mais expressivos no período. Com a queda registrada no período, o etanol se consolida como a opção mais econômica e sustentável para os motoristas rondonienses”. ENCONTRO DE CATADORES DE MATERIAIS RECICLÁVEIS DE RONDÔNIA O governo do estado realizou na segunda-feira (2) o 4º Encontro Estadual de Catadores de Materiais Recicláveis, entre os municípios de Presidente Médici e Ji-Paraná. Durante o evento, encerrado na terça-feira (3), cerca de 100 profissionais organizados em cooperativas, associações ou de forma individual participaram da programação, coordenada pela Secretaria de Estado da Mulher, da Família, da Assistência e do Desenvolvimento Social (Seas), com palestras, visita técnica, atividades práticas e levantamento de demandas que ampliem a geração de renda, qualifiquem a atuação das cooperativas e associações, difundam práticas seguras de trabalho e consolidem propostas para o desenvolvimento da política pública de reciclagem inclusiva no estado.  A titular da Seas, Luana Rocha reforçou, que com estes encontros o governo, por meio da Seas, contribui com a organização dos catadores no estado para o fortalecimento das cooperativas e a construção de uma pauta unificada em defesa da reciclagem inclusiva em Rondônia. ““A escolha de Presidente Médici atendeu ao pedido dos próprios catadores, apresentado no Fórum Estadual de Lixo e Cidadania, pelo fato de o município estar mais centralizado, favorecendo a participação de um número maior de catadores. Nesta edição foi inserida pela primeira vez a oficina do projeto “Recicla ON”, do Instituto Gea, do estado de São Paulo, focada na capacitação e estruturação de cooperativas de catadores para a destinação correta de resíduos eletroeletrônicos (lixo eletrônico). AS PERSPECTIVAS DE INFLAÇÃO PIORAM SEGUNDO O BOLETIM FOCUS A mais recente edição do Boletim Focus mostra uma piora drástica das expectativas dos investidores com relação à inflação, aos juros e à taxa de câmbio. A piora se inicia pela inflação. Há quatro semanas, a estimativa este ano foi de 5,01%. Na semana passada, subiu para 5,19% e, nesta edição, avançou para 5,22%, bastante acima do teto da meta.  A projeção para 2027 também piorou. Nas últimas semanas, a expectativa estave ao redor de 4,3%. Acima da meta de 3%, mas dentro do limite aceitável. Agora, a projeção avançou para 4,76%, acima do teto de 1,5% da meta. A alta prevista é menos intensa nos anos de 2028 e de 2029. Porém, as estimativas para esses dois anos se situavam ao redor de 3,5% e agora estão ao redor de 4%, também  acima da meta. RESILIÊNCIA DA ECONOMIA GLOBAL DIMINUI AFIRMA FMI O documento final da 54ª reunião do Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC), nas reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, alerta que a economia global resiste a choques, mas sua capacidade de absorver novas turbulências diminui, após o desmantelamento da ordem geopolítica, conflitos e danos às cadeias de suprimentos, pela pandemia e por guerras. Assim o FMI pede políticas mais consistentes, reconstrução das reservas fiscais, estabilidade de preços e cooperação entre nações. O World Economic Outlook projeta um crescimento mundial de 3,1% em 2026 e 3,4% em 2027, e inflação global de 4,7% neste ano, recuando para 4,1% no próximo. Há diferenças: países beneficiados por investimentos em IA e condições comerciais favoráveis têm perspectivas melhores do que importadores de energia e economias de baixa renda. Interessante é que o documento destaca os riscos do endividamento público: a alta dos rendimentos dos títulos soberanos, somada à dívida elevada, pode encarecer o crédito. Recomenda consolidação fiscal e marcos fiscais, preservando investimentos prioritários e a proteção social; transferências temporárias e direcionadas seriam mais eficientes do que controles generalizados de preços. Na política monetária, pede estabilidade de preços, decisões baseadas em dados, comunicação clara e independência dos bancos centrais. A inteligência artificial impulsiona investimentos, comércio e produtividade, mas seus benefícios tendem a ser desiguais; revisões nas expectativas de rentabilidade podem provocar correções nos mercados e ampliar disparidades. AUTOR: SILVIO PERSIVO –  TEIA DIGITAL

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