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Brasil está prestes a deixar grupo das 10 maiores economias do mundo

País, que deve cair de 9° para 12° lugar neste ano, chegou a ocupar a 7ª posição em 2011. Pandemia foi a pá de cal sobre um cenário já bastante prejudicado

O Brasil está prestes a deixar o grupo das dez maiores economias do mundo.

Em nono lugar com o maior Produto Interno Bruto (PIB) em dólares, o país deverá cair para a 12ª posição ainda neste ano, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) compilados pelos pesquisadores Cláudio Considera e Marcel Balassiano, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV).

O Brasil chegou a ocupar a sétima posição em 2011, quando o valor do seu PIB em dólares ficava atrás apenas do de Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, França e Reino Unido. Naquele ano, algumas consultorias chegaram a prever que a economia brasileira passaria a britânica, ainda muito impactada pela crise financeira global de 2008, o que não se concretizou.

Com uma taxa de crescimento baixa e muito aquém de seus pares do BRICs nos anos que se seguiram, no entanto, o Brasil não foi capaz de manter a colocação. A pandemia do coronavírus foi a pá de cal sob o cenário já bastante prejudicado.

As maiores economias do mundo
2019            2020
Posição    Países    PIB (trilhões US$)    Países    PIB (trilhões US$)
1    EUA    21,4    EUA    20,8
2    China    14,7    China    15,2
3    Japão    5,1    Japão    4,9
4    Alemanha    3,9    Alemanha    3,8
5    Índia    2,9    Reino Unido    2,6
6    Reino Unido    2,8    Índia    2,6
7    França    2,7    França    2,6
8    Itália    2,0    Itália    1,8
9    Brasil    1,8    Canadá    1,6
10            Coréia    1,6
11            Rússia    1,5
12            Brasil    1,4
“O principal fator que leva o Brasil a recuar três posições no ranking é a desvalorização cambial que, antes de tudo, é fruto de problemas internos, como o momento político conturbado e as incertezas quanto ao nosso futuro fiscal, que fizeram o risco país aumentar”, diz Balassiano.

Mesmo assim a situação poderia ser pior, já que as piores previsões sobre o tombo que economia poderia levar neste ano, feitas no começo da crise o coronavírus, não chegaram a se concretizar, graças ao auxílio emergencial de R$ 600 pago a 65 milhões de brasileiros. O FMI esperava um tombo de 9% para o país, que deverá encolher perto de 5%, segundo projeção de economistas de mercado.

Poder de compra
Além de levarem em consideração o valor do PIB em dólares dos países para o ranking, os pesquisadores também consideraram o critério de paridade de poder de compra (PPP), que estima o PIB com base no real custo dos preços e serviços, como se todos os países tivessem uma moeda comum, e não nas taxas de câmbio, que são voláteis e dão um peso desproporcional para quem tem moeda forte.

Por esse critério, o Brasil sairia da décima posição ocupada em 2019 para a oitava em 2020, ultrapassando Reino Unido e França que devem apresentar quedas mais acentuadas no PIB do que o Brasil.

“A desvalorização cambial vista neste ano foi muito grande, o que impacta mais a posição do país do que a queda do PIB, embora seja um dos países que mais vão encolher em 2020”, diz Cláudio Considera.

O economista ressalta que, mesmo desconsiderando a desvalorização cambial por esse critério, não devemos desconsiderar que a desvalorização acentuada é um efeito da má performance da própria economia, levada por desconfiança e incertezas em relação ao futuro. “A desvalorização cambial é fruto dessas mazelas”.

FONTE: EXAME.COM

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