Concessionária adiantou os serviços para colocar em prática a imediata cobrança de pedágio na BR-364.
A Assembleia Legislativa de Rondônia, por meio de um grupo de deputados, está se mobilizando para protocolar junto a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) um ofício solicitando um estudo técnico e econômico visando a revisar o preço do pedágio praticado na BR-364, no trecho entre Vilhena e Porto Velho.
Segundo o deputado Pedro Fernandes (PRD), a população de todo o Estado está sentindo no bolso o preço elevado do pedágio praticado pela concessionária Nova BR-364. “Quem reside em Cujubim e precisa ir a Porto Velho paga R$ 5,00. No retorno para Cujubim, o usuário da rodovia precisa pagar R$ 35,00”, disse o parlamentar.
Cujubim faz parte da região da produção do Estado e fica distante 220 km da capital Rondoniense. No entanto, muitos moradores de Cujubim utilizam a rodovia para ir até a cidade de Ariquemes, município pólo da região. “Quem precisa ir até Ariquemes para fazer uma faculdade, por exemplo, terá de pagar R$ 74 reais por dia. Em 20 dias, o cidadão terá desembolsado R$ 1.480,00”, disse o parlamentar, acrescentando que é necessário um preço mais justo e equilibrado à população.

Por outro lado, o empresário e ex-senador Acir Gurgacz (PDT) vai protocolar um documento nesta quinta-feira (22.01.26) solicitando a suspensão da cobrança até que a empresa vencedora da licitação providencie as melhorias na rodovia. A nova concessionária não duplicou um quilômetro de rodovia. A única obra que ganhou prioridade da concessionária foi a instalação do sistema de cobrança de pedágio, o que permitiu a cobrança imediata do pedágio.
Nas redes sociais, conforme apurou o site Valor&MercadoRO, empresários defendem alternativas junto ao governo do Estado visando criar rota alternativa passando por cidades estratégicas, interligando municípios que dependem exclusivamente da BR-364. Para consolidar o projeto, seria necessário um investimento altíssimo do governo estadual ao longo dos próximos 4 anos. “Não podemos ficar refém de uma rodovia federal. Precisamos de rotas alternativas.”
Bancada em sono profundo
Ainda nas redes sociais, empresários e a população criticaram o silêncio profundo da bancada federal de Rondônia. Muitos políticos decidiram se manifestar após o leilão. O governador Marcos Rocha (União Brasil) disse em recente entrevista à imprensa disse que a Comissão de Infraestrutura do Senado realizou audiência pública em Ji-Paraná e Vilhena para tratar sobre o tema 30 dias após o leilão acontecer na Bolsa de Valores de São Paulo.
Um proprietário de carreta de 9 eixos, ao utilizar a BR-364 saindo de Vilhena até o Porto Graneleiro de Porto Velho, e retornar ao município de origem, terá de desembolsar R$ 2.316,80. Se o mesmo motorista fizer 4 viagens por mês, serão R$ 9.267,20.
A conta fica mais salgada quando 1.300 carretas trafegarem, por mês, pela rodovia federal recentemente privatizada. Durante 30 dias, a concessionária terá um lucro de R$ 401 mil somente com carretas de 9 eixos que fazem o transporte de grãos ao Porto da Capital. Em 12 meses, o lucro da concessionária será de R$ 144 milhões.
Os números representam um forte impacto na vida dos caminhoneiros e das grandes empresas que fazem o transporte de grãos, conforme aponta tabela baixo:
| Período | Base de Cálculo | Valor (R$) |
| Por viagem (ida e volta) | 1 carreta | R$ 2.316,80 |
| Por carreta (mês | 4 viagens | R$ 9.267,20 |
| Total mensal | 1.300 carretas | R$ 12.047.360,00 |
| Média diária | 30 dias | R$ 401.578,67 |
| Total anual | 12 meses | R$ 144.568.320,00 |
Fonte: Sinttrar
Os números foram apresentados ao site Valor&MercadoRO pelo Sinttrar, (Sindicado dos Motoristas do Transporte Rodoviário do Estado de Rondônia). Nas contas da entidade, os valores ultrapassam cifras milionárias. “Considerando que mais de 5 mil carretas trafegam diariamente pela BR-364. O grupo Amaggi, por exemplo, são mais de 1 mil carretas que fazem o transporte de soja até o Porto da Capital e retornam para o Sul do Estado com carga, geralmente ração e outros tipo de alimentos”, explicou o presidente do Sinttrar, Antônio Carlos da Silva, o popular Da Silva.

Pedágio vai impactar no frente e alimentos na região Norte
Os motoristas que atuam no serviço de frete e trafegam diariamente pela BR-364 no transporte de alimentos, entre os municípios que terão cobrança de pedágio, temem aumento do serviço de transporte.
“De Porto Velho a Jaru, pelo meus cálculos, terei de pagar ida e volta algo em torno de R$ 320,00. É um dinheiro extra que terei de ter para fazer esse trajeto”, disse um motorista Raimundo de Souza, que durante a semana faz o trecho entre a capital de Rondônia até a cidade de Jaru, cerca de 370 km. Ele teme que o valor do frete possa ter reajuste nos próximos dias.
Segundo apurou o site Valor&MercadoRO, um automóvel e caminhonete com semirreboque (conforme consta na tabela de categoria de veículo 3), terá de desembolsar cerca de R$ 86,85, para se deslocar de Porto Velho até a cidade de Jaru. Com o retorno para Porto Velho, o valor do pedágio será de R$ 172,00. Veja a tabela:

Bancada federal diz que vai à Justiça
No último dia (03.01.26), a bancada federal emitiu uma nota de repúdio contra a decisão da Agência Nacional de Transportes Terrestre (ANTT). Segundo a nota, os pedágios anunciados em Rondônia são abusivos e resultaram de uma decisão unilateral do governo federal, conduzidas pela ANTT, sem qualquer votação ou aprovação do Congresso Nacional.
Ainda segundo a nota, a bancada federal “sempre se posicionou contra esse edital, que impõe tarifas elevadas, prevê pouca duplicação e estabelece demora no início das obras, desconsiderando a realidade de quem vive e produz no Estado”. Até o momento não se tem notícia de algum pedido formulado pela bancada federal junto à Justiça.

Leilão foi transmitido ao vivo
O leilão foi transmitido ao vivo pelo canal oficial da ANTT no YouTube e apenas o senador Confúcio Moura (MDB-RO) estava presente no evento. Assista abaixo:
Empresários do Acre alertam para aumento do preço dos produtos ao consumidor
Tanto representantes da indústria quanto do comércio acreano alertam que os custos adicionais de pedágio tenderão a ser replicados nos preços finais ao consumidor, pressionando a inflação local e tornando produtos mais caros em um mercado já dependente de logística rodoviária.
O Sindicato das Transportadoras de Cargas do Acre fez as contas: as empresas já pagam R$ 1,6 mil para transportar carga até São Paulo e já vão ter acréscimo de R$ 1,4 mil com a sequência de cobranças no território rondoniense.
O Acre já sofre com custos logísticos elevados devido à sua distância dos grandes centros. A introdução de pedágios pode reduzir ainda mais a competitividade de produtos locais, dificultando a atração de investimentos e a diversificação da economia.
A decisão de conceder este trecho da BR-364 pode ter sido motivada por atratividade ao capital privado e busca de manutenção rodoviária externa, mas o fluxo de veículos na Amazônia é baixo, comparado a outras rodovias, o que pode limitar os benefícios econômicos esperados da modelagem da concessão.
AUTOR: MARCELO FREIRE – VALOR E MERCADO RO



























Add Comment