O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria deixado o Brasil na noite de ontem (26) rumo à Argentina para seguir viagem aos Estados Unidos, em um voo privado, noticiou nesta madrugada o site argentino Infobae.
A reportagem do UOL apurou que a Polícia Federal rastreia as fronteiras para averiguar se Flávio deixou o país
Irmão de Flávio, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que mora nos EUA, ironizou a informação. “É o Elon Musk que está mandando um foguete”, disse à colunista do UOL Mariana Sanches. “Óbvio que é mentira. Isso é a esquerda querendo justificar ação contra ele [Flávio]”, completou.
Desde o início da manhã, aliados de Flávio tentam contato com o senador, mas sem sucesso, apurou a colunista do UOL Letícia Casado.
O UOL tenta contato com a assessoria de Flávio desde as 7h40, mas ninguém respondeu ainda.
Ontem, a PF intimou Flávio a entregar seus passaportes, comum e diplomático, em até 24 horas, por determinação do ministro do STF Alexandre de Moraes. O UOL apurou que Flávio ainda está com seus passaportes, que deveriam ser entregues no fim da manhã de hoje.
O que diz o site argentino
O Infobae é o maior site de notícias da Argentina e, de acordo com pesquisa do Reuters Institute for The Study of Journalism de 2026, um dos veículos mais confiados pelos argentinos.
A reportagem aponta que Flávio cruzou a fronteira para a Argentina e iria embarcar em Puerto Iguazú, na província de Misiones. A decolagem estava prevista para as 2h de hoje, em um Gulfstream G400.
De acordo com o site, o candidato derrotado pelo presidente reeleito Lula (PT) teria atravessado a fronteira usando o documento nacional de identidade.
O avião citado na reportagem é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, atribuído à empresa Baires Fly S.A. Ainda segundo o Infobae, a companhia pediu os trâmites de Aduana e Migrações para quatro passageiros e três tripulantes.
O UOL acessou o Flightradar24, onde consta um voo, na noite de ontem, de Buenos Aires para Puerto Iguazú, mas não há registros de decolagens para os EUA da aeronave que teria sido usada por Flávio. O site é um serviço online que mostra o rastreamento de voos de aeronaves em tempo real em um mapa interativo.
O jornal La Nación, um dos mais importantes da Argentina, informou que a decolagem para os EUA não ocorreu porque um dos quatro passageiros não compareceu, segundo fontes da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA) a par das movimentações no aeroporto de Misiones. A aeronave permanece em Puerto Iguazú, conforme informou a Polícia de Misiones. Os pilotos são de nacionalidade argentina.
O Ministério da Segurança da Nação informou ao La Nación que não há registros de que Flávio Bolsonaro tenha entrado no país.
Sobre o avião
O Infobae relata que a aeronave está registrada na Argentina desde 25 de setembro de 2020 em nome da Baires Fly S.A. Antes, o jato teria operado com matrículas de EUA e México, incluindo N524GA, N522AC, N522AG, XA-CHG e N152GA.
O Gulfstream G400 é uma aeronave com capacidade para 13 passageiros, com camas para até seis pessoas. No site da Baires Fly, a empresa oferece serviço personalizado 24h, refeições especiais, open bar, entre outras comodidades.
O LV-JQW foi fabricado em 2004 pela Gulfstream Aerospace. O modelo tem dois motores Rolls-Royce Tay e autonomia estimada entre 7.000 e 7.800 quilômetros.
STF pediu passaporte de Flávio
O senador Flávio Bolsonaro tem de entregar seus passaportes à Polícia Federal hoje, após a determinação de Moraes.
Na noite de domingo (25), dia da eleição presidencial, Moraes deu prazo de 24 horas para a entrega do documento. A decisão também proíbe Flávio de se comunicar.
“Nunca pensei em deixar o país”
Em vídeo publicado nas redes sociais ontem, Flávio disse que nunca pensou em sair do país.
Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar.
Segundo ele, a decisão de Moraes, que está sob sigilo, cita uma declaração de seu irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que sugeriu que Flávio saísse do país caso perdesse a eleição.
Investigações contra Flávio
Flávio é investigado em dois inquéritos criminais no STF. Como senador, ele tem foro especial até fevereiro. Se tivesse sido eleito presidente, o prazo seria estendido por mais quatro anos, durante todo o mandato à frente do Executivo federal.
Um dos inquéritos se refere ao pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. O valor seria usado para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Flávio e Vorcaro são investigados por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Como revelado pelo The Intercept Brasil, o senador negociou o repasse de pelo menos US$ 24 milhões com o ex-banqueiro para
a produção do filme. O dinheiro foi transferido para um fundo nos Estados Unidos ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PLSP).
Flávio nega irregularidades e afirma que a cinebiografia só tem dinheiro privado obtido legalmente.
O outro inquérito trata da relação do senador com seu amigo Willer Tomaz. O advogado teve o celular apreendido na investigação
sobre fraudes no INSS e a análise do aparelho mostrou movimentações financeiras suspeitas. Foi nesse inquérito que Moraes
ordenou a entrega do passaporte.
Como revelou o UOL, e-mails obtidos pela PF indicam que Willer Tomaz dividia uma conta no banco Santander com Flávio
Bolsonaro. Em uma das mensagens, o senador é apontado como “usuário master”, credencial que, na prática, permite que mais
de uma pessoa ou empresa administre a conta e movimente valores de forma conjunta. Em nota oficial, ambos negaram que
dividiram a conta.
Willer detém a maioria das ações da companhia portuguesa Cathedral Holdings, única acionista da Rede Loto, a empresa que
controla a casa de apostas BestBet. Uma reportagem da revista Piauí revelou que Flávio foi sócio oculto dessa bet.
FONTE: UOL





















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