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Causa mais provável para morte do ‘índio do buraco’ é natural, diz perícia da PF

Nas últimas imagens do indígena vivo obtidas pela Pública, ele aparece esquálido, utilizando um ‘cajado’ como apoio

Quatro exames realizados pela perícia criminal federal da PF (Polícia Federal) e concluídos em novembro e dezembro do ano passado, aos quais a Agência Pública teve acesso, não chegaram a uma conclusão definitiva sobre a causa. Mas um deles apontou “natural/não traumática” como “a hipótese mais provável” para a morte do indígena isolado de Rondônia que ficou conhecido como “índio do buraco”.

Ele era considerado um símbolo da resistência dos povos indígenas isolados no país. Por mais de 25 anos, no mínimo, recusou qualquer contato com não indígenas e indigenistas da Funai, até ser encontrado morto, no ano passado, na palhoça em que vivia num território de 8 mil hectares de uso restrito que incide sobre quatro municípios de Rondônia (Chupinguaia, Corumbiara, Parecis e Pimenteiras do Oeste).

Reprodução

Índio do buraco ficou conhecido por abrir covas no chão

O corpo, deitado numa rede em posição fetal, com a cabeça inclinada para a esquerda, a mão esquerda perto da cabeça e a direita sobre o peito, foi localizado em 23 de agosto passado pelo indigenista Altair Algayer, da equipe da FPE (Frente de Proteção Etnoambiental) Guaporé, vinculada à CGIIRC (Coordenação-Geral de Índios Isolados e de Recente Contato) da Funai (Fundação Nacional do Índio). Algayer, que por mais de duas décadas protegeu e monitorou o “índio do buraco”, acionou a PF e o MPF (Ministério Público Federal).

O trabalho dos peritos mobilizou, ao longo de semanas, uma dezena de peritos criminais federais do INC (Instituto Nacional de Criminalística) da PF em Brasília, para onde o corpo foi levado. Quatro deles também estiveram na palhoça. As condições do cadáver, deteriorado pela ação do tempo, dificultaram os exames. Estimou-se que ele tinha morrido de 30 a 40 dias antes do início dos exames, que ocorreram de 29 de agosto a 2 de setembro.

Nunca se soube nome, etnia, língua e idade do “índio do buraco” – mistérios que sobrevivem à sua morte e à investigação da PF. Os laudos, por outro lado, lançam luzes sobre o modo de vida e os últimos dias do indígena.

Com cerca de 1,60 m, segundo o exame, sua compleição física era de “mediana a pequena”. Tinha cabelos pretos lisos. Seu estado nutricional, e aqui surge uma pista importante para os peritos, “aparentava caquexia”. Trata-se de um grau extremo de enfraquecimento, uma perda importante de peso e de massa muscular.

Algayer encaminhou ao MPF e à PF as últimas imagens do indígena coletadas no dia 4 de junho por uma câmera de monitoramento instalada pela Funai numa roça utilizada pelo isolado para plantar principalmente mamão e milho. A câmera ajudava a Funai a prevenir, por exemplo, ação de invasores no território que vinha sendo interditado por portaria da Funai desde os anos 1990. Dois frames do vídeo mostram o índio do buraco esquálido, com os ossos do peito à mostra. Ele andava apoiado num cajado, o que reitera o estado de fraqueza.

Indígena aparece utilizando um “cajado” como apoio em suas ultimas imagens

No seu relatório, Algayer escreveu que “as imagens indicam que o índio se encontrava com o corpo debilitado, mais magro, com a pele flácida e mais clara”.

“Os pêlos no queixo (barba) estão embranquecidos com o avançar da sua idade. Em todas as imagens, ele aparece com uma vara na mão para se apoiar ao caminhar. Na imagem feita no dia 04/06, ele está parado e as duas mãos estão firmes na vara para apoiar o seu corpo. […]. Em nenhuma delas aparece com arco e flechas, nem com o facão. Armamentos e ferramentas sempre estavam presentes em todos os momentos que tivemos contato com ele”, escreveu o indigenista da Funai.

O corpo tinha, no torso, um adereço de fibra artesanal. Na cabeça, um tipo de chapéu “feito com o que o parece ser um saco de estopa”. Na região da cintura, penas amarelas e azuis, “um colar de sementes redondas murchas” e um adereço “fixo ao torso aparentemente composto de fibra vegetal bruta”.

Os peritos responsáveis pelo laudo de medicina e odontologia forense – Cristian Kotinda Junior, Rodrigo Travassos Pereira da Silva e Hugo Oliveira de Figueiredo – fizeram radiografias do “crânio, tórax, região abdominal, pelve, membros superiores e membros inferiores”. Não observaram “alterações na estrutura óssea que pudessem sugerir ação traumática”. Tampouco foram “evidenciados projetis ou outros corpos estranhos”. Também “não houve fraturas dos ossos do crânio” e nem sinais evidentes de asfixia.

“O exame minucioso da superfície corporal tegumentar remanescente não evidenciou alterações traumáticas. No entanto, mais uma vez, ratificam-se as limitações inerentes ao exame”, dizem os peritos, pois os restos mortais estavam prejudicados pela ação do tempo.

“Em decorrência das condições em que se encontravam os restos mortais, foram apontadas limitações para o estabelecimento do intervalo de morte e para a determinação da causa do óbito. Não foi possível se estabelecer de forma taxativa a causa da morte”, diz o laudo. Os peritos observaram que “não foram constatados, nos exames de imagem a que se procedeu, bem como no exame cadavérico direto, lesões nos segmentos cutâneos, lesões ósseas ou outros elementos que apontassem para uma morte violenta em decorrência de trauma/ação externa”. 

Por outro lado, pontuam os peritos, “não se pode, de maneira taxativa, excluir eventual trauma/lesão que acometesse somente os tecidos moles ora ausentes” em razão do processo de deterioração do corpo. “No entanto, a não constatação de lesões tegumentares mais extensas e a ausência de lesões/fraturas/infiltrações ósseas em regiões de estruturas vitais como crânio/tórax restringem significativamente a possibilidade de morte decorrente de agente externo/trauma fatal.”

Índio do buraco se recusou várias vezes a manter contato com não indígenas e mesmo outros indígenas da região

Após citar o relatório da Funai que inclui as imagens de vídeo, os peritos ressaltaram que “corroboram ainda para a hipótese de morte natural/não traumática a postura/posição em que [o indígena] fora encontrado, as condições de provável inanição/caquexia observadas ao exame, bem como a presença de adereços sugestivamente ritualísticos”.

Ao longo da investigação, surgiu a hipótese de suicídio por meio da ingestão de alguma substância venenosa produzida a partir de ervas ou plantas relacionadas ao conhecimento tradicional dos povos indígenas. Essa linha, contudo, “é de difícil comprovação/detecção devido à inexistência de padrões para pesquisa toxicológica”, disseram os peritos.

O laudo de química forense, subscrito pela perita federal Gabriele Hampel, analisou uma garrafa plástica, uma tigela de metal, dois pequenos baldes de metal, uma amostra de solo e uma substância em pó raspada de um pilão coletado dentro da palhoça do indígena. O exame “não detectou a presença de compostos orgânicos de interesse forense (drogas, fármacos e agrotóxicos)” e também ficou impossibilitado “o levantamento de hipóteses sobre a dinâmica, circunstâncias ou causa da morte”.

O exame do local da morte, cujo laudo foi assinado pelos peritos criminais federais Luciana Lobato Schmidt, Bruno Costa Pitanga Maia e Alexandre Raphael Deitos, procurou levantar “elementos que permitam esclarecer as circunstâncias da morte e verificar se os vestígios são compatíveis com morte natural ou violenta”. Eles procuraram “elementos relacionados a uma morte violenta, tais como luta corporal, impactos em superfícies causados por disparos de arma de fogo ou de flechas, substâncias químicas, manchas de sangue etc”.

O local foi devassado com “fotografias, vídeos, escaneamentos” realizadas com “equipamentos diversos, dentre eles câmeras fotográficas digitais, trenas laser para medições, detector de metais, aeronave remotamente pilotada (ARP) e escâner laser 3D”. Apurou-se que o buraco aberto no chão pelo indígena dentro de sua palhoça – o apelido de “índio do buraco” surgiu pela prática do indígena de abrir cavidades no solo na mata; o objetivo desses buracos até hoje é controverso – tinha 2,15 m de profundidade e aproximadamente 54 cm por 84 cm de largura.

Ao lado do corpo havia três cajados, flechas, taquaras para fazer flechas, duas tigelas de metal, um cesto, um pedaço de bambu contendo milho, uma lata amassada, penas para abanar fogo, um pilão, duas colheres, espigas de milho e cera de abelha, dois machados, um pote feito de cabaça de côco, uma vara com cipó de 5 metros e uma foice de 53 cm.

Espigas de milho, flechas e taquaras encontradas no interior da palhoça

Depois de mencionarem novamente o relatório da Funai, os peritos frisaram não ter encontrado no local “sinais de luta nem a presença de ervas e plantas de interesse toxicológico”. Além disso, “os exames de química forense não detectaram compostos orgânicos nas amostras coletadas e ainda os exames de genética forense não detectaram a presença de uma pessoa estranha ao local, não obstante tais exames não tenham sido categóricos na exclusão total de outras hipóteses”.

O laudo de genética forense, produzido pelas peritas criminais federais Diana Vilas Boas e Silva e Cristina Moniz de Aragão Gualda, analisou duas colheres de metal com cabo de madeira, que foram coletadas na palhoça do indígena isolado, e comparou o DNA com um pedaço de cartilagem retirada do fêmur do indígena. Não identificou pessoa estranha no local.

De acordo com o exame do local da morte, “todos esses fatores apontam como hipótese mais provável uma morte natural/não traumática ao ‘Índio do Buraco’”.

“Uma possibilidade que se aventa é a de óbito em decorrência de causas naturais/não traumática. Neste sentido, há que se considerar o histórico contido em relatório da Funai que, em sua última aparição, [o indígena] apresentava-se emagrecido, fragilizado, claudicante, utilizando-se de ‘cajados’ como apoio à sua mobilização. Além da observação de que modificara seu modus operandi, tendo abandonado o roçado e deixado de se utilizar/extrair recursos costumeiros”, diz o exame do local da morte.

Após pressão do MPF e de entidades como o OPI (Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato), o corpo do indígena foi enterrado no início de novembro no interior da mesma palhoça na qual foi encontrado, em agosto. Há agora pressões de fazendeiros para que a Funai abra mão dos 8 mil hectares que vinham sendo interditados, a partir da constatação da presença do isolado desde a década de 1990.

Ação do MPF pede providências
No último dia 27 de dezembro, os procuradores da República do MPF em Ji-Paraná (RO) Daniel Luís Dalberto e Leonardo Trevizani Caberlon ajuizaram uma ação civil pública, ainda sob análise do Judiciário, pela qual solicitaram dez providências à Funai e à União, entre as quais a apresentação, num prazo de 30 dias, de “um plano de proteção territorial da área, o qual deve ter, inclusive, visitas regulares à área e seu monitoramento”. 

Os procuradores querem que a Funai e a União sejam obrigadas a manter a Portaria de Restrição de Uso sobre a área até o trânsito em julgado da ação civil pública. No prazo de um ano, defendem os procuradores, a área deve ser identificada e demarcada como terra indígena, então denominada Tanaru, em referência a um rio da região. A terra, diz o MPF, deverá ter uma “destinação socioambiental, consultando-se, a respeito, os povos indígenas da região, especialmente os Kanoé, os Akuntsu, os Aikanã, os Sakurabiat, os Kwazá e os indígenas que atuam pela Funai há décadas no monitoramento e proteção da área”.

Os procuradores apontaram que o indígena “trata-se de um único sobrevivente de genocídio de um povo desconhecido”.

“Esse indígena foi acossado e cercado pelo avanço da fronteira econômica promovido pelo Estado. Resistiu bravamente e sozinho por quase três décadas. Recusou a todas as tentativas de contato e aproximação com a nossa sociedade. Levou adiante sua própria civilização até agosto de 2022, quando faleceu, usando tradicionalmente o território que restou após o esbulho do território ancestral de seu povo. […] Sua sobrevivência, em condições de isolamento, em ambiente inóspito como é o das florestas tropicais é um feito grandioso e extraordinário, que atestou sua incrível autonomia e a eficácia de suas técnicas, herdadas de seu povo, que lamentavelmente foi exterminado por colonizadores da área, sob omissão do Estado, sem que lhes déssemos chances de sobrevivência e perpetuação, em afronta aos direitos humanos mais caros e às normas basilares do ordenamento jurídico”, diz a peça inicial da ação civil pública. 

AUTOR: RUBENS VALENTE –  FONTE: TUDO RONDÔNIA

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

CHARGE – CARTUNISTA

COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • TEIA DIGITAL: Em Setembro, Balança Comercial em Rondônia apresenta resultado negativo – Por Silvio Persivo

    E querem nos dizer o que devemos fazer sem considerar nossos interesses. “Eles não aprenderam nada e não esqueceram nada” (Charles Maurice de Talleyrand-Périgord). 3ª EXPOTURISMO ENCERRA COM IMENSO SUCESSO Realizada com muito sucesso, de público e de movimentação financeira, a 3ª Expo Turismo Rondônia 2026, que, este ano, foi no complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, brilhou pela diversidade dos estandes. A feira reuniu empreendedores, especialistas, representantes de municípios e profissionais do setor. Estiveram presentes mais de 10 mil visitantes ao longo dos três dias para visitar 85 estandes, especialistas e empreendedores do setor. O evento ampliou a visibilidade dos negócios, estimulou parcerias e incluiu palestras, workshops, aulas-show, debates, oficinas, talk shows e capacitações, além da exposição de produtos, serviços e experiências turísticas. Também a pesca esportiva foi o grande destaque com a presença de Nelson Nakamura e os filhos Renan e Vitor Nakamura, referências na pesca esportiva. Nelson Nakamura e os filhos participam da Expo pela terceira vez, com presença em workshops e atividades voltadas ao segmento, ao lado de outros especialistas do setor. O evento foi realizado pel0 governo de Rondônia por meio da Secretaria de Estado do Turismo (Setur), em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio-RO) e o apoio da Prefeitura Municipal de Porto Velho.  O governador Marcos Rocha destacou sobre o evento a importância de valorizar os atrativos regionais e criar oportunidades para empreendedores e municípios por meio do turismo. AS CRIANÇAS AINDA SÃO MAIORIA EM RONDÔNIA O Dia das Crianças foi muito comemorado em Rondônia, mas, é preciso frisar que, no Brasil, hoje, existem 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais contra apenas 26,4 milhões de crianças de até 9 anos. É uma diferença de 10 milhões a favor dos idosos, o que reflete a virada demográfica que começou em 2020 e deve se aprofundar em 2040, quando serão 2,5 idosos para cada criança. Em 2000, as crianças eram 19,8% da população. Hoje são somente 12,3%, ou 1 em cada 8 brasileiros. Já em 18 das 27 unidades da federação há mais idosos do que crianças. O Rio Grande do Sul lidera com a maior proporção de idosos: possui 1,96 idoso por criança. Já Rondônia, a proporção é de 1,18 criança de até 9 anos para cada idoso com 60 anos ou mais (ou cerca de 85 idosos para cada 100 crianças nessa faixa etária). EM SETEMBRO BALANÇA COMERCIAL DE RONDÔNIA APRESENTA RESULTADO NEGATIVO O comércio exterior de Rondônia, em setembro, segundo o Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), fechou o mês com déficit de US$ 59,5 milhões, valor proveniente de US$ 195,7 milhões em vendas e US$ 255,2 milhões, mas, no acumulado de janeiro a setembro deste ano, o resultado permanece favorável ao Estado, com saldo positivo de US$ 560,2 milhões. O resultado de setembro decorre do aumento das importações que chegou perto de 40% em relação ao mesmo período de 2025. O que também contribuiu, porém em menor proporção, foram as limitações tarifárias sobre a carne bovina na China, que atingiu o teto da cota anual, e passou a receber uma sobretaxa de 55% em cima da taxa base de 12%, totalizando a alíquota de 67%. Para contornar as restrições no país asiático, frigoríficos e produtores locais redirecionaram seus carregamentos para destinos como Chile, Estados Unidos e Canadá. A pauta de embarques permaneceu concentrada na carne bovina, responsável por 58,1% das vendas, e o milho, com 23,3%. O mercado de café também apresentou teve expansão contínua, com 7,3% da pauta mensal. O café ganhou protagonismo na balança comercial pelo forte crescimento em 2026. O volume total do grão embarcado até o momento perfaz quase o dobro de tudo o que foi exportado ao longo do ano de 2025. Nas importações, a China respondeu por 41,2% do total acumulado no ano, somando US$ 953,6 milhões, acompanhada por parceiros como Argentina e Estados Unidos. Os valores elevados de compras externas decorrem do modelo tributário de importação escritural garantido pela legislação estadual. Neste sistema, as empresas registradas em Rondônia efetuam o recolhimento de tributos no Estado, enquanto os produtos entram no país por portos de outras regiões e seguem para o destino final, sem significar consumo direto pela população local. UNIVERSIDADES EM XEQUE A atual disputa eleitoral está desnudando, de uma forma até burlesca, o que acontece nas universidades brasileiras e como essas se encontram distantes dos problemas reais do país. É fato que a tecnologia e o progresso estão obrigando a academia a mudar o que fazem. Porém, com as manifestações estudantis e os problemas que surgem internamente de incêndios e uso das instalações para politicagem, a questão que aflora se tornou mais grave. Começa-se a questionar não somente “apenas o que fazem” e sim também “os que fazem”. Há professores passando vergonha tanto pelos discursos ultrapassados como pela demonstração de falta de conhecimento demonstrando que o saber está realmente escasso nas universidades. E isto se demonstra tanto pela queda das instituições nos rankings de classificação, em relação as de outros países, como pela deterioração visível dos campus e instalações onde as pichações, a falta de manutenção e a sujeira dão uma triste demonstração de como se encontram locais que deveriam ser espelhos para a sociedade. E o mais preocupante é que esta desvalorização das universidades se visualiza quando há um declínio de uma das suas principais razões de existência, que é a realização de pesquisas. Antes o setor produtivo precisava dos recursos que as universidades possuíam, da aliança entre ensino e pesquisa, inclusive para sustentar os salários das pessoas capazes de realizar este tipo de pesquisa. Agora, tudo indica que, com a crescente perda de importância das pesquisas universitárias, as empresas apostam mais nos seus próprios recursos e de que a inteligência artificial será cada vez mais capaz de realizar grande parte das pesquisas necessárias. Por isto diminuem a procura por vagas, […]

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