Estamos em fevereiro de 2026 e a Reforma Tributária, que antes parecia um tema distante de Brasília, acaba de bater à porta dos comércios e prestadores de serviços da nossa cidade. Se 2025 foi o ano das discussões e leis complementares, 2026 e 2027 são os anos em que a teoria se torna prática, trazendo desafios e oportunidades inéditas para quem está no Simples Nacional.
2026: O Ano do “Test Drive”
O ano de 2026 começou como um período pedagógico. Para as empresas, o impacto financeiro imediato é pequeno, mas o impacto operacional é enorme. A grande novidade é a chamada Alíquota de Teste de 1% (sendo 0,9% para a CBS federal e 0,1% para o IBS estadual/municipal).
Para quem é do Simples Nacional, o sistema de arrecadação via guia única (DAS) continua funcionando, mas a infraestrutura digital está sendo testada. É o momento de adaptar softwares de emissão de notas e se familiarizar com o Split Payment — a tecnologia que separará o imposto no momento exato do pagamento. O recado para o empresário local neste momento é: não ignore os testes. Erros cometidos agora podem ser corrigidos com facilidade, mas servirão de aprendizado para o que vem a seguir.
2027: A Encruzilhada do Simples Nacional
O divisor de águas real será 2027. É neste ano que o PIS e a COFINS deixam de existir, sendo substituídos integralmente pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Aqui, o empresário do Simples Nacional terá que tomar uma decisão estratégica que pode definir sua sobrevivência no mercado B2B (venda para outras empresas).
O novo sistema permite que a empresa opte por dois caminhos:
- Recolhimento “Por Dentro”: Você continua pagando tudo em uma única guia. É mais simples, mas sua empresa transfere menos crédito tributário para seus clientes.
- Recolhimento “Híbrido”: Você paga o IRPJ e a Contribuição Patronal pelo Simples, mas paga o IBS e a CBS por fora, como se fosse uma grande empresa.
Por que isso importa? Se o seu principal cliente é outra empresa, ela vai querer comprar de quem gera mais créditos tributários. Se você ficar “dentro” do Simples, pode acabar ficando “caro” para o seu cliente, perdendo competitividade para quem optou pelo regime híbrido.
O “Nanoempreendedor”: Uma Boa Notícia
Uma das grandes vitórias da regulamentação que se consolidou agora em 2026 é a figura do Nanoempreendedor. Aqueles que faturam até R$ 40,5 mil por ano e não são MEI agora possuem dispensa de recolhimento de IBS e CBS, uma medida essencial para formalizar o pequeno doceiro, a costureira ou o prestador de serviços comunitários da nossa região.
Conclusão: Planejar é o Novo Lucrar
A Reforma Tributária não é apenas uma mudança de nomes de impostos; é uma mudança na forma de fazer negócios. Em 2026, o foco é a adaptação tecnológica. Em 2027, o foco será a estratégia tributária.
O conselho para os empreendedores da nossa cidade é um só: sente-se com seu contador hoje mesmo. Avalie quem são seus clientes e fornecedores. O lucro de 2027 começará a ser construído nas escolhas que você fizer agora, neste período de transição.


























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