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11,8% dos jovens com menores rendimentos abandonaram a escola

Percentual se refere aos adolescentes com 15 a 17 anos de idade que não concluiram o ensino básico

Em 2018, cerca de 11,8% dos adolescentes com 15 a 17 anos de idade que estavam entre os 20% da população com os menores rendimentos abandonaram a escola sem concluir o ensino básico, um percentual 8 vezes maior que o desse mesmo grupo etário entre os 20% com maiores rendimentos (1,4%). São informações da Síntese de Indicadores Sociais (SIS) do IBGE.

Cerca de 40,0% da população brasileira com 25 anos ou mais de idade não tinham instrução ou sequer concluíram o ensino fundamental. Considerando-se o analfabetismo entre as pessoas com 15 anos ou mais de idade, o Brasil tem a quinta maior taxa (8,0%) entre 16 países da América Latina, segundo a Unesco. Além disso, 49,0% dos brasileiros com 25 a 64 anos não haviam concluído o ensino médio, o dobro da média dos países analisados pela OCDE neste tema (21,8%).

Em 2018, o percentual de jovens brancos cursando o ensino superior ou que já havia concluído esse nível (36,1%) ainda era quase duas vezes o de pretos ou pardos (18,3%).
Em relação aos países membros da OCDE, o Brasil tem o menor salário inicial anual pago aos docentes do ensino fundamental e médio. E um em cada quatro municípios brasileiros não tinha piso salarial para professores estabelecido por lei municipal.

De 2017 para 2018, houve redução de 26,0% para 25,3% no percentual da população abaixo da linha de pobreza, o equivalente a 1,1 milhão de pessoas saindo dessa condição, considerando-se a linha adotada pelo Banco Mundial: rendimentos inferiores a US$ 5,50 PPC (Paridade de Poder de Compra) por dia. Os 25,3% da população brasileira que estavam abaixo dessa linha de pobreza em 2018 equivalem a 52,5 milhões de pessoas.

Em 2018, a proporção de pessoas abaixo da linha de extrema pobreza do Banco Mundial (rendimentos inferiores a US$ 1,90 PPC por dia), manteve-se no maior patamar da série da PNAD Contínua, iniciada em 2012: 6,5% da população brasileira, ou 13,5 milhões de pessoas.

Em 2018, cerca de 72,7% das pessoas abaixo da linha de pobreza (US$ 5,50 PPC / dia) eram pretas ou pardas. O rendimento médio domiciliar per capita das pessoas de cor ou raça preta ou parda (R$ 934) era quase metade do rendimento das pessoas de cor ou raça branca (R$ 1.846), uma desigualdade que se mantém ao longo da série histórica.

A pobreza também implica em menor acesso aos serviços básicos: 56,2% das pessoas abaixo da linha de pobreza (US$ 5,50 PPC / dia) moravam em domicílios sem esgoto sanitário, enquanto a média da população sem acesso a esse serviço era de 37,2%.

A SIS mostra que o país tem cerca de 10,9 milhões de jovens (15 a 29 anos) que não estudavam e não estavam ocupados, o equivalente a 23% das pessoas nesse grupo etário, percentual que coloca o Brasil na quinta pior colocação entre 41 países analisados pelo relatório anual da OCDE, cuja média, para esse indicador, é 13,2%.

Em 2018, a taxa de desocupação da população preta ou parda era de 14,1%, contra 9,5% para a população branca. Entre a população ocupada de cor ou raça branca, 34,6% estavam em ocupações informais, enquanto 47,3% da preta ou parda se encontrava nesta situação.

Em 2018, as pessoas pretas ou pardas representavam 53,7% dos ocupados, mas 66% dos subocupados por insuficiência de horas trabalhadas.

Nos rendimentos do trabalho, os 10% dos trabalhadores de rendimentos mais elevados receberam 13 vezes o rendimento médio dos 40% da população ocupada de menores rendimentos. Essa desigualdade foi mais intensa no Piauí (18 vezes) e esteve abaixo de 10 vezes em Santa Catarina, Goiás, Alagoas e Mato Grosso. O material de apoio da SIS 2018 pode ser acessado à direita desta página.

De 2017 para 2018, percentual de pessoas na pobreza reduziu de 26,0% para 25,3%

Em 2018, considerando-se os indicadores do Banco Mundial, 25,3% da população brasileira tinha rendimentos inferiores a US$ 5,50 PPC (Paridade de Poder de Compra) por dia, o equivalente a R$ 420,00 mensais. Esse percentual equivale a cerca de 52,5 milhões de pessoas permanecendo abaixo dessa linha de pobreza, das quais 72,7% eram pretas ou pardas. De 2017 para 2018, como mostra a série histórica a seguir, houve redução de 0,7 p.p. no percentual de pessoas abaixo da linha de pobreza, o equivalente a 1,1 milhão de pessoas saindo dessa condição.

Pessoas, por classes de rendimento domiciliar per capita – Brasil – 2012 a 2018 ( % e 1 000 pessoas)
BrasilTotal
(1 000 pessoas)
Proporção de pessoas por classes de rendimento domiciliar per capita (%)Valor de 50% da mediana no rendimento domiciliar per capita (2)
Menos de US$ 1,9 PPC 2011 (1)Menos de US$ 3,2 PPC 2011 (1)Menos de US$ 5,5 PPC 2011 (1)Até 50% mediana nacional (2)
AbsolutoPercentualAbsolutoPercentualAbsolutoPercentualAbsolutoPercentualAbsoluto
2018207.7436,513.53712,425.72125,352.52324,250.227402
2017206.0896,413.26812,325.37426,053.58923,648.539375
2016204.4075,811.92912,124.76725,552.15323,347.724363
2015202.7274,99.91810,721.75823,748.03222,745.998347
2014200.9634,59.0339,919.82822,845.81722,445.101327
2013199.2495,110.15311,422.66524,949.58622,945.597293
2012197.5295,811.37912,224.15826,552.26223,145.590261
Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, 2012 a 2018, consolidado de primeiras entrevistas. Notas: Exclusive as pessoas cuja condição no domicílio era pensionista, empregado doméstico ou parente do empregado doméstico. Rendimentos deflacionados para reais médios do próprio ano. (1) Taxa de conversão da paridade de poder de compra para consumo . (2) Mediana calculada no nível pessoa.privado, R$ 1,66 para US$ 1,00 PPC 2011, valores diários tornados mensais e inflacionados pelo IPCA para anos recentes.

A redução da pobreza verificada em 2018 se concentrou no Sudeste (cerca de 700 mil pessoas). Quase metade (47,0%) dos brasileiros abaixo da linha de pobreza em 2018 estava no Nordeste. O Maranhão tinha o maior percentual de pessoas com rendimento abaixo da linha (53,0%) e Santa Catarina, o menor (8,0%). Os percentuais de pobreza de todos os estados do Norte e Nordeste superavam a média nacional (gráfico a seguir).

Pobreza extrema chega ao maior percentual desde 2012: 6,5% da população

Em 2018, a proporção de pessoas com rendimento domiciliar per capita inferior a US$ 1,90 PPC (linha de extrema pobreza, segundo o Banco Mundial, equivalente a R$ 145 mensais) manteve-se no maior patamar dos últimos sete anos analisados: 6,5% da população brasileira. Este percentual corresponde a 13,5 milhões de pessoas, contingente superior à população total de países como Bolívia, Bélgica, Cuba, Grécia e Portugal. Entre 2017 e 2018 houve estabilidade na proporção de pessoas com rendimento abaixo de US$ 1,90 PPC.

Ao longo da série histórica da PNAD Contínua, a trajetória desse indicador oscilou: entre 2012 a 2014, houve redução de 1,3 ponto percentual na proporção de pessoas com rendimento inferior a US$ 1,90 PPC, que chegou a 4,5%. Entre 2014 e 2018, no entanto, houve aumento de 2,0 pontos percentuais nessa proporção.

Rendimento domiciliar per capita dos brancos era duas vezes o dos pretos ou pardos

Em 2018, o rendimento médio domiciliar per capita das pessoas de cor ou raça preta ou parda (R$ 934) era quase metade do rendimento das pessoas de cor ou raça branca (R$ 1.846). Entre 2012 e 2018, houve ligeira redução dessa diferença, que não foi capaz de superar essa histórica desigualdade de rendimentos.

56% da população abaixo da linha de pobreza não tinham acesso a esgoto sanitário

Em 2018, cerca de 9,7% da população residia em domicílios sem coleta de lixo; 15,1% não tinham abastecimento da água por rede; 35,7% não tinham acesso à rede de esgotamento sanitário. Os percentuais entre a população abaixo da linha de pobreza (rendimento domiciliar per capita inferior a US$ 5,50 PPC) eram bem maiores: 21,1% residiam em domicílios sem coleta de lixo, 25,8% não contavam com abastecimento de água por rede e 56,2% moravam em domicílios sem esgotamento sanitário.

40% da população com 25 anos ou mais não concluíram o ensino fundamental

A PNAD Contínua do IBGE mostra que 40,0% da população brasileira com 25 anos ou mais de idade não tinham instrução ou sequer concluíram o ensino fundamental em 2018, enquanto 12,6% tinham o ensino fundamental completo e o médio incompleto, 30,9% tinham o médio completo e o superior incompleto e, finalmente, 16,5% tinham o superior completo.

O aumento no nível de instrução da população brasileira ao longo das últimas gerações foi considerável, mas insuficiente para colocar o Brasil próximo ao patamar internacional. Entre 16 países da América Latina analisados com dados divulgados pela da Unesco, as taxas de analfabetismo da população com 15 anos ou mais variam de 0,2% (Cuba) até 18,7% (Guatemala) em 2015. Nesse grupo, o Brasil (8,0%) está entre os cinco países com as maiores taxas de analfabetismo, abaixo da Bolívia (7,5%) e igual à República Dominicana (8,0%).

Além disso, entre os países membros da OCDE, o percentual médio para pessoas de 25 a 64 anos de idade que não haviam concluído o ensino médio era 21,8%. No Brasil, esta mesma taxa era mais que o dobro: 49,0% (gráfico abaixo).

Brasil não alcançou as metas do PNE para adequação da idade à etapa de ensino

Em 2018, a Taxa Ajustada de Frequência Escolar Líquida (proporção de pessoas que frequentam ou já concluíram o nível de ensino adequado a sua faixa etária) do 1º ao 5º ano era de 96,1%; do 6º ao 9º ano era 86,7%; e para o ensino médio, 69,3%. Esses números mostram que ainda não foram alcançadas as taxas previstas pelas metas 2 e 3 do Plano Nacional de Educação: 100% para o ensino fundamental e de 85% para o ensino médio.

O atraso escolar por etapas é mais intenso no grupo de 15 a 17 anos (23,1%), seguido pelos grupos de 11 a 14 anos (12,4%) e de 18 a 24 anos (25,2%). Já o abandono escolar sem conclusão da etapa adequada afeta mais fortemente a faixa etária de 18 a 24 anos (63,8%).

11,8% dos jovens com os menores rendimentos abandonaram a escola sem concluir a educação básica

Em 2018, o atraso escolar relativo à frequência ao ensino médio dos jovens de 15 a 17 anos de idade era quatro vezes maior entre os 20% da população com os menores rendimentos (33,6%), do que nos 20% com os maiores rendimentos (8,6%).

Além disso, 11,8% dos jovens dessa faixa etária entre os 20% com os menores rendimentos haviam abandonado a escola sem concluir a educação básica obrigatória. Esse percentual foi 8 vezes maior que o dos jovens nos 20% com os maiores rendimentos (1,4%).

O atraso escolar em relação ao ensino superior afetava 11,0% da população entre 18 e 24 anos, ou 2,5 milhões de jovens. Deste total, 83,2% frequentavam o ensino médio e 16,8% o fundamental.

Percentual de brancos cursando o ensino superior era duas vezes o de pretos ou pardos
Cerca de 18,3% dos jovens pretos ou pardos de 18 aos 24 anos frequentavam o ensino superior ou haviam concluído este nível. Entre os brancos do mesmo grupo etário, o percentual era quase o dobro: 36,1%.

Considerando-se os cinco quintos da população por ordem de rendimento, a desigualdade é evidente: enquanto 63,2% dos jovens de 18 a 24 anos no quinto mais rico frequentava o ensino superior ou haviam concluído este nível, somente 7,4% dos jovens no quinto mais pobre estavam nessa situação.

Brasil tinha 10,9 milhões de jovens que não estudavam nem estavam ocupados

Cerca 10,9 milhões de jovens de 15 a 29 anos do país não estavam estudando nem estavam ocupados em 2018, o equivalente 23,0% das pessoas nesse grupo etário. Este patamar coloca o Brasil entre os cinco piores colocados entre os 41 países que tiveram seus resultados divulgados pelo relatório Education at a Glance 2019, elaborado pela OCDE.

A maior incidência de jovens que não estudavam nem estavam ocupados era no quinto da população com os menores rendimentos domiciliares per capita. Havia 42,3% dos jovens deste grupo nessa situação.

Mulheres predominam entre os jovens que não estão ocupados nem estudam

Apesar de mais escolarizadas, era maior a proporção de jovens mulheres (28,4%) do que de homens (17,6%) que não estudavam e não estavam ocupadas em 2018. Em pior situação encontravam-se as mulheres pretas ou pardas, que tinham o dobro de chances de estarem sem estudar e sem ocupação do que os homens brancos.

60,3% dos jovens que não estudavam nem trabalhavam estavam fora da força de trabalho
Em 2018, mais da metade (60,3%) dos jovens entre 15 e 29 anos de idade, que não estavam estudando e não estavam ocupados, não tinham procurado trabalho e/ou não queriam ou estavam indisponíveis para começar a trabalhar.

Entre os que não procuraram trabalho, mas gostariam de trabalhar, os principais motivos revelados nas entrevistas da PNAD Contínua eram: não haver trabalho na localidade (39,6%), não conseguir trabalho adequado (10,7%), não ter experiência profissional ou qualificação (6,1%) ou ser considerado muito jovem para trabalhar (1,0%). Considerando-se estes números, conclui-se que 57,4% desses jovens estavam desalentados.

Brancos recebiam 73,9% a mais do que pretos ou pardos

Em 2018, os brancos ganhavam, em média, 73,9% mais do que pretos ou pardos. Essa desigualdade se mantém mesmo na remuneração por horas trabalhadas.

Em 2018, o rendimento-hora da população ocupada de cor ou raça branca (R$ 17,0) era 45% superior ao da população preta ou parda (R$10,10). A diferença maior nessa remuneração por hora estava entre os trabalhadores com nível superior completo: R$ 32,8 para brancos e R$ 22,7 para pretos ou pardos.

Desocupação e informalidade são mais altas entre pretos ou pardos

Em 2018, a taxa de desocupação da população preta ou parda era de 14,1%, contra 9,5% para a população branca. Na série histórica, essa taxa permanece maior para a população preta ou parda, tendo alcançado a maior diferença em 2017 (4,6 pontos percentuais). Essa diferença permaneceu a mesma em 2018.

Entre os trabalhadores brancos, 34,6% tinham trabalho informal, enquanto entre os trabalhadores pretos ou pardos, 47,3% estavam na informalidade.

Além disso, a presença dos pretos ou pardos é mais acentuada em atividades com os menores rendimentos: Agropecuária (60,8%), Construção (62,6%) e Serviços domésticos (65,1%). Já as pessoas de cor ou raça branca predominam nos grupamentos melhor remunerados, como Informação, financeiras e outras atividades profissionais e Administração pública, educação, saúde e serviços sociais.

Pessoas pretas e pardas representavam dois terços dos subocupados

As pessoas pretas ou pardas representavam, em 2018, 53,7% dos ocupados, mas 66% dos subocupados por insuficiência de horas. As mulheres eram 43,7% da população ocupada, mas 54,6% da subocupada.

Os jovens com 14 a 29 anos eram 25,7% dos ocupados, mas 34,5% dos subocupados. Quanto ao nível de instrução, os trabalhadores sem instrução ou com fundamental incompleto eram 26,2% do primeiro grupo, mas 36,3% do segundo.

Os 10% que ganham mais recebiam 13 vezes a renda dos 40% que ganham menos
Em 2018, considerando-se o rendimento médio do trabalho, a disparidade entre as remunerações dos 10% da população ocupada que ganham mais e dos 40% que ganham menos alcançou seu maior patamar: treze vezes mais.

Contribuiu para isso o fato de, em 2018, as ocupações com rendimentos mais elevados terem ganhos acima da inflação, ao contrário dos rendimentos dos ocupados da base da distribuição.

As Unidades da Federação com as maiores diferenças foram Piauí (acima de 18 vezes), Paraíba e Sergipe (em torno de 16 vezes) e as menores estavam em Santa Catarina, Goiás, Alagoas e Mato Grosso (todas abaixo de 10 vezes), em 2018.

Um em cada quatro municípios não tinha piso salarial para professores

Segundo os dados do bloco de educação da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (MUNIC 2018), quase todos os municípios do país (95,7%) aprovaram um plano de carreira para o magistério público. No entanto, um em cada quatro municípios (25,8%) não tinha definido o piso salarial dessa carreira em lei municipal, possivelmente descumprindo a Lei n° 11.738/2008.

De acordo com o relatório Education at a Glance 2018, o Brasil é o país com o menor salário inicial anual pago aos docentes do ensino fundamental e médio, em relação aos países membros da OCDE, cuja média para o ensino médio foi de US$ 34.534 PPC.

O Brasil pagava, em 2017, um salário inicial de US$ 13.971 PPC por ano aos seus professores da educação básica, enquanto no Chile, por exemplo, esse piso era de US$ 23.429 por ano no ensino fundamental (gráfico 12 a seguir).

Apenas 38,8% dos municípios tinham plano de carreira para funcionários das escolas

Ainda segundo a MUNIC 2018, surpreende a baixa proporção de municípios (38,8%) com plano de carreira vigente para os profissionais da educação que não eram do magistério, ou seja, funcionários das escolas da área de serviços e de apoio escolar, que também são parte integrante do processo educativo.

Entre as Unidades da Federação, os cinco menores percentuais de municípios com plano de carreira para profissionais da educação estavam no Amapá (12,5%), Paraíba (14,8%), Ceará (15,2%), Goiás (22,4%), Rio Grande do Norte (23,4%) e Maranhão (27,2%).

 

FONTE: IBGE

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

CHARGE – CARTUNISTA

COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • COLUNA TEIA DIGITAL: Confiança Empresarial diminui com cenário econômico de incerteza – Por Silvio Persivo

    Insistir é preciso. “De tudo ficaram três coisas: A certeza de que estamos começando. A certeza de que precisamos continuar. A certeza de seremos interrompidos antes de terminar. Portanto, devemos fazer da interrupção um caminho novo. Da queda, um passo de dança. Do medo, uma escada. Do sonho, uma ponte. Da procura, um encontro” (Fernando Sabino). IV SIMPÓSIO DE CIÊNCIA E PESQUISA A da Fundação de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa do Estado de Rondônia (Fapero) com o objetivo de aproximar a sociedade da comunidade científica e apresentar os seus resultados nos projetos apoiados pela instituição,) realiza o IV Simpósio de Ciência e Pesquisa (Simfap), nos dias 5 e 6 de novembro. O evento reúne pesquisadores para compartilhar seus trabalhos, fortalecer a ciência, a tecnologia e a inovação no estado.. O evento om palestras, mesas-redondas, debates e apresentações de trabalhos científicos será realizado no Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO), na Avenida Presidente Dutra, nº 1889, em Porto Velho, e as inscrições estão abertas até o dia 4 de novembro, O presidente da Fapero, Paulo Renato Haddad, disse que o Simfap já se tornou uma tradição “Mais do que apresentar resultados, o evento é uma forma de dar transparência aos investimentos realizados em ciência, tecnologia e inovação, aproximando a população das pesquisas e demonstrando como esses recursos estão contribuindo para o desenvolvimento de Rondônia”. COMEÇOU O PERÍDO DE DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA DE REBANHOS Começou neste último domingo (1º), o período para a segunda etapa da declaração obrigatória de rebanhos em Rondônia. A atualização cadastral deve ser realizada até 30 de novembro pelos produtores rurais que criam bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos, suínos, equídeos e aves. O procedimento é realizado junto à Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron). Durante o período, a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) fica condicionada à regularização das informações cadastrais e os produtores só poderão movimentar os animais para transporte ou comercialização depois de feitaa declaração do rebanho. No sistema Idaron Online, os pecuaristas vão classificar o gado como leiteiro ou de corte e informar os números de nascimentos e mortes desde maio. Também será necessário indicar a faixa etária dos animais, especificando quantos, entre os nascidos depois da primeira etapa da declaração, têm de quatro a seis meses e quantos têm de um a três meses de idade. Por fim deve ser feito o ajuste automático do total dos rebanhos no sistema, a partir das alterações informadas pelo produtor. A A atualização cadastral, como se sabe, é necessária para manter o status sanitário de Rondônia como área livre de febre aftosa sem vacinação. CONFIANÇA DOS EMPRESÁRIOS DIMINUI COM CENÁRIO ECONÔMICO DE INCERTEZA Segundo o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), os empresários do comércio, no último e mais forte trimestre para o setor no ano, estão menos otimistas, com menos planos de expansão e contratação. O Icec registrou um recuo de 2,7% em outubro, resultado das incertezas do cenário econômico e apresentou sua quarta queda consecutiva e a mais intensa desde julho, já descontados os efeitos sazonais. Com este resultado, o indicador reduziu para os 96,7 pontos, ficando abaixo do nível de neutralidade e atingindo o valor mais baixo desde maio de 2021, na pandemia, quando marcou 94,5 pontos. Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, “O comércio acende um alerta para todo o país ao entrar no período mais lucrativo do calendário, sob cautela. Quando o empresário pisa no freio das contratações e dos investimentos, toda economia desacelera, reflexo direto das incertezas nos âmbitos fiscal e monetário que travam as decisões de negócios neste último trimestre”, analisou. Em Rondônia, a situação é um pouco melhor mesmo com o Icec caindo de 107,3 pontos para 105,9 pontos, ou seja, uma queda de -1,3%. Rondônia, em geral, possui um comportamento mais otimista e resiliente, mas, ainda assim, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia-Fecomércio/RO, Raniery Araújo Coêlho, afirmou ser preciso “Maior previsibilidade, segurança jurídica e políticas monetárias que reduzam os custos das operações do nosso setor. O comércio, nas condições atuais, mesmo querendo expandir e gerar postos de trabalho sofre com a falta de um ambiente mais favorável para manter o crescimento”. E também aconselhou os empresários a realizarem promoções e facilidades maiores para atrair os clientes neste final de ano. REINCIDÊNCIA DE INADIMPLENTES BATE RECORDE Um sintoma deste problema é o fato do Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em setembro, revelar que se verificou o maior recorde no número de consumidores negativados nas listas de inadimplentes. Em setembro de 2026, do total de negativações, 87,44% foram de devedores reincidentes, ou seja, consumidores que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses. Acrescente-se que no universo de reincidentes, a maior parte, 67,05%, ainda não havia quitado as pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 20,38% tinham saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 12,56% dos negativados em setembro não estiveram com restrições no CPF ao longo do último ano. Mais: o tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento das demais pendências para os reincidentes foi de 72,5 dias. Isto significa que, em média, depois de cerca de 2,4 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra dívida já vence. Também se observa que houve um crescimento de 18,28% no número de devedores reincidentes, os que já haviam aparecido no cadastro de inadimplentes, na comparação com os 12 meses anteriores. É uma forte indicação de que o programa Desenrola não deu certo. AUTOR: SILVIO PERSIVO –  COLUNA TEIA DIGITAL

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