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Casal de Rondônia que morreu fugindo das queimadas são as vítimas fatais na Amazônia

Eidi e Romildo viviam no assentamento Galo Velho, na zona rural de Machadinho D’Oeste

A casa de madeira coberta por lona e palha representava a maior conquista da dona de casa Eidi Rodrigues de Lima, de 36 anos, e do companheiro, o produtor rural Romildo Schmidt, de 39.

O casal morava no Assentamento Galo Velho, na zona rural de Machadinho D’Oeste, em Rondônia, município a pouco mais de 350 quilômetros da capital Porto Velho.

Eidi e Romildo viviam na região havia três anos. Eles construíram a casa logo após comprarem o terreno. Era a primeira residência própria deles, que anteriormente moravam em um sítio no município de Vale do Anari, Rondônia, onde prestavam serviços rurais.

No assentamento, o casal se mudou para a residência de quatro cômodos — dois quartos, cozinha e sala; o banheiro ficava na área externa — com as três filhas.

As mais velhas, atualmente com 19 e 18 anos, são frutos de um relacionamento anterior de Eidi. A caçula, hoje com 13 anos, é a única filha da dona de casa com o marido.

O casal costumava dizer que estava feliz morando ali com a família. O assentamento é marcado por conflitos agrários, porém, Eidi e Romildo não tinham problemas com a vizinhança. A maior preocupação deles era com as queimadas feitas na região, principalmente durante o período de estiagem.

Nos assentamentos da região rural de Machadinho D’Oeste, conforme pessoas que vivem no local, é comum que pequenos produtores coloquem fogo no mato para fazer renovação do pasto, ampliar áreas de criação ou para outras culturas agrícolas.

Desde que chegaram ao assentamento, Eidi e Romildo sempre temeram que as chamas pudessem atingir a propriedade deles. “Todo ano tinha essa questão de fogo, usado na região para limpar os lotes. Mas minha mãe e meu padrasto nunca haviam sido afetados com isso”, relatou Jeigislaine Rodrigues de Carvalho, de 18 anos, a segunda filha de Eidi.

A casa que era a primeira residência própria de Eidi e Romildo Foto: Acervo pessoal

No dia 13 de agosto, o maior temor do casal se tornou realidade. Eles viram a casa ser atingida pelas chamas e, enquanto tentavam fugir, morreram. “O fogo se espalhou muito rápido, porque estava ventando muito. Não deu tempo de eles saírem dali. Foi muito triste”, disse Jeigislaine à BBC News Brasil.

As mortes de Eidi e Romildo são exemplos trágicos das consequências das queimadas florestais no Brasil. Em 2019, foram registrados os maiores números dos últimos sete anos.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram registrados, até a terça-feira 27, 82.200 pontos de incêndio pelo país — o número representa 80% a mais que os registros do ano passado.

Rondônia é o quarto estado com mais registros de queimadas no Brasil. De janeiro até a segunda-feira 26, foram 6.441 focos de incêndio, segundo o Inpe.

A lista de estados brasileiros com mais incêndios neste ano é liderada por Mato Grosso (15.400), Pará (10.700) e Amazonas (7.600). Tocantins teve registros semelhantes a Rondônia, foram 6.436. Os cinco fazem parte da Amazônia Legal – o conjunto de estados com áreas de Floresta Amazônica.

A Nasa apontou, na semana passada, que 2019 é o pior ano de queimadas na Amazônia brasileira desde 2010. Imagens da agência espacial americana mostram uma densa camada de fumaça sobre os estados de Rondônia e Amazonas.

A princípio, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) adotou postura pouco combativa ao tema. Porém, diante da repercussão internacional, dias depois mudou o tom de sua reação e autorizou, na tarde de sexta-feira 23, o uso de militares em uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) — quando há situações graves que demandam que o presidente da República convoque forças de segurança – para combater as queimadas na região da Floresta Amazônica.

Rondônia foi um dos estados que receberam ajuda federal para atuar no combate aos incêndios.

A HISTÓRIA DE EIDI E ROMILDO

Romildo conheceu Eidi pouco após ela chegar a Rondônia. A dona de casa morava em Araputanga, no interior do Mato Grosso, quando se separou do primeiro marido. Com as duas filhas pequenas, se mudou para o estado vizinho, para recomeçar a vida. “Ela escolheu vir para Rondônia porque temos muitos parentes por aqui”, contou Jeigislaine.

Parentes contam que Eidi e Romildo se apaixonaram e começaram o relacionamento. Logo nasceu a primeira e única filha do casal. Com a família, se mudaram para o sítio em que o homem trabalhava como vaqueiro.

Moradia foi engolida pelas chamas em 13 de agosto Foto: João Messias Monteiro

Desde que começaram a namorar, Eidi e Romildo planejavam comprar uma área para que pudessem cultivar alimentos e criar animais. Por uma década, juntaram dinheiro e conseguiram adquirir a propriedade na zona rural de Machadinho D’Oeste. Para eles, era apenas o começo do sonho de serem donos da própria terra.

Ali, viram as duas filhas de Eidi se casarem e deixarem a região para morarem com seus maridos. A mais velha se tornou mãe recentemente. A caçula continuou morando com os pais.

Na propriedade rural, o casal tinha pequenas plantações e criavam porcos e galinhas. O casal queria aumentar a casa, por isso juntou dinheiro para começar a comprar materiais.

Um dos objetivos era trocar a cobertura de palha e lona. “Eles tinham comprado muitas telhas e ripas de madeira recentemente”, relembrou Jeigislaine.

Vizinhos disseram à Polícia Civil que Eidi e Romildo sempre evitaram sair durante o período em que as queimadas eram mais constantes. Eles não queriam ficar longe para tentar proteger a casa de um possível incêndio.

Na zona rural em que está localizado o assentamento, as queimadas frequentes motivam os moradores a adotarem medidas para preservar seus patrimônios.

Os entornos de muitas propriedades possuem aceiros — técnica de retirada de vegetação para evitar propagação do fogo.

“O pessoal faz mutirões para apagar incêndios, usam água, deixam o entorno da propriedade somente com terra, para que o fogo não se alastre. Nesse período de incêndios, eles tentam de tudo para não perder o pouco que têm”, relata o delegado Celso André Kondageski, da Delegacia de Machadinho D’Oeste.

O INCÊNDIO

De acordo com os relatos de testemunhas, o fogo que atingiu a região em que Eidi e Romildo moravam começou por volta das 13 horas, no dia 13 de agosto. O assentamento, assim como toda a zona rural da região, está localizado em uma área desmatada da Floresta Amazônica. Em razão disso, as chamas costumam propagar com mais rapidez.

Queimadas têm sido frequentes na zona rural de Machadinho D'Oeste Foto: João Messias Monteiro

No horário, o vento estava forte e fez com que incêndio avançasse ainda mais rápido. Moradores registraram vídeos que mostram a destruição. Nas imagens, é possível ver que o fogo atingiu grande altura e tomou conta da área.

Na propriedade rural da família, Eidi e Romildo logo se preocuparam com as chamas. A filha mais nova estava na escola. Testemunhas contaram que a primeira preocupação do casal foi retirar as madeiras e as telhas que haviam comprado recentemente.

“Eu não estava por perto, mas vizinhos me contaram que eles quiseram preservar o que tinham comprado e colocaram em uma área afastada da mata, para que não queimasse também”, contou Jeigislaine, que mora em um sítio a cerca de 4 quilômetros da casa da mãe.

Os relatos das testemunhas apontam que o fogo vinha em direção à parte traseira da propriedade rural de Eidi e Romildo. “Eles achavam que conseguiriam retirar o que haviam comprado e se salvar”, pontuou Jeigislaine. No entanto, conforme pessoas que presenciaram o fato, uma situação piorou ainda mais o fogo: um novo foco de incêndio teve início em uma área localizada em frente à propriedade do casal.

“Alguém deve ter aproveitado que estavam queimando para também colocar fogo, achando que nenhuma propriedade seria atingida. Esse outro incêndio piorou ainda mais a situação”, disse uma testemunha, que não será identificada.

Conforme as apurações iniciais, o segundo incêndio inesperado surpreendeu Eidi e Romildo, que até então planejavam sair da propriedade pela frente, em direção contrária ao fogo. “Eles não tinham mais para onde fugir, porque rapidamente tudo foi tomado pelo fogo”, narrou Jeigislaine, com base em relatos de vizinhos da mãe.

'Tá difícil acreditar nisso tudo que aconteceu. Eu não quis ver os corpos carbonizados, nem minhas irmãs viram', diz filha do casal Foto: João Messias Monteiro

O incêndio consumiu, segundo testemunhas, cerca de 43 hectares da região. A propriedade de Eidi e Romildo foi completamente destruída, assim como outros dois sítios da região. Diversos animais também foram atingidos pelas chamas e morreram carbonizados.

O Corpo de Bombeiros não foi ao local na data do incêndio, segundo testemunhas. “Ninguém chamou os bombeiros por medo do que poderia acontecer, por ser um caso de desmatamento. A Sedam (Secretaria de Desenvolvimento Ambiental de Rondônia) poderia vir junto, então acharam melhor evitar”, diz um morador da região, que não será identificado.

“O fogo só parou depois que atingiu toda a mata da região. Estava muito forte. Acho que até os bombeiros teriam dificuldades para controlar. As chamas pararam sozinhas, quando acabaram as partes de mata daquela área”, completa o morador.

Segundo a testemunha, os bombeiros foram à região somente no dia seguinte, quando foram informados sobre as proporções do incêndio. No local, fizeram trabalho de rescaldo após a queimada.

Leia mais: Incêndios na Amazônia espalham animais carbonizados

A BBC News Brasil entrou em contato com o Corpo de Bombeiros de Rondônia para confirmar se eles foram ao local na data do incêndio ou se receberam algum chamado sobre o caso. Porém, a instituição não respondeu até a conclusão desta reportagem.

AS MORTES

No fim da tarde do dia 14, os corpos de Eidi e de Romildo foram encontrados carbonizados, na parte externa da propriedade rural deles. Desde a noite do dia anterior, eles eram considerados desaparecidos.

Eles foram as únicas vítimas fatais. Os moradores de uma das propriedades vizinhas conseguiram fugir logo que o fogo teve início. No outro sítio atingido, os moradores estavam viajando e não havia ninguém no local.

Os corpos de Eidi e de Romildo estavam juntos, a cerca de 100 metros de distância da casa deles. Para alguns, eles morreram abraçados. Porém, Jeigislaine acredita que o padrasto estava carregando a companheira.

“Acho que minha mãe tinha passado mal, por ter inalado muita fumaça, e ficou muito fraca. Meu padrasto, então, deve ter carregado ela para tentar sair dali, mas os dois acabaram morrendo”, disse a jovem.

A principal suspeita é de que a dona de casa e o marido tenham morrido por inalação de monóxido de carbono. Em seguida, com o avanço do fogo, foram carbonizados. “Mas ainda é preciso esperar os resultados das perícias para que possamos esclarecer todo o contexto”, disse o delegado Kondageski.

Jeigislaine relatou que ainda tem dificuldades para aceitar que a mãe e o padrasto morreram. “A gente não consegue entender. Não caiu a ficha. Tá difícil acreditar nisso tudo que aconteceu. Eu não quis ver os corpos carbonizados, nem minhas irmãs viram, porque era uma imagem muito pesada para a gente.” Eidi e Romildo foram enterrados no dia seguinte à data em que foram encontrados.

Animais que eram da criação de Eidi e Romildo; família conta que é comum que produtores rurais ateiem fogo para fazer renovação do pasto, ampliar áreas de criação ou para outras culturas agrícolas Foto: Arquivo pessoal

INVESTIGAÇÕES

A Polícia Civil de Machadinho D’Oeste instaurou inquérito para apurar o caso. Testemunhas já foram ouvidas pelo delegado Kondageski. Ele aguarda as conclusões das perícias para auxiliar nas apurações. O principal objetivo é descobrir a origem do fogo na região e quantas pessoas incendiaram aquela área do assentamento na tarde do dia 13.

“Os responsáveis pelo fogo vão responder pelo incêndio, porque é crime ambiental, e podem responder também por homicídio doloso (quando há intenção de matar), porque uma pessoa que coloca fogo em uma área dessas sabe dos riscos que existem, inclusive o de matar alguém”, pontuou o delegado.

As apurações iniciais, segundo o delegado, apontam que o fogo teve início ao ser ateado em uma região de pastagem, logo se alastrou e atingiu as propriedades. “Mas ainda estamos investigando”, frisou.

Para o delegado, a morte do casal é um importante alerta sobre as queimadas. “Essa é a pior das consequências. Esses incêndios geram perdas ambientais e materiais, além de serem considerados crimes ambientais. É uma atitude imprudente, que vem sendo adotada há muito tempo.”

A família de Heidi e Romildo quer justiça. “Quem fez isso tem de pagar, porque essa atitude irresponsável acabou com duas vidas”, declarou Jeigislaine.

Desde a morte da mãe e do padrasto, ela tem cuidado da irmã mais nova. A mais velha está de repouso, por ter se tornado mãe recentemente.

“É muito triste ver a forma como minha mãe e meu padrasto morreram. Sempre fico vendo fotos deles em meu celular. Está sendo muito difícil”, lamentou Jeigislaine.

 

FONTE: BBC NEWS BRASIL

FRNEWS TV: SENAR- Projeto Piloto Pecuária Sustentável de Rondônia | Estância Mina Azul

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COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. 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TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • COLUNA TEIA DIGITAL: As perspectiva de inflação pioram segundo Boletim Focus – Por Silvio Persivo

    Sobre os fatos hediondos e lamentáveis. “Aconteceu e, portanto, pode voltar a acontecer: está a essência do que temos para dizer” (Primo Levi). BLACK FRIDAY IMPULSIONA COMÉRCIO DE RONDÔNIA Segundo a  Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio/RO). a Black Friday de 2026 deve movimentar cerca de R$ 736 milhões em Rondônia. Para Porto Velho, a estimativa é de R$ 147 milhões em vendas, com um crescimento previsto de 3,2%.  No cenário nacional, um estudo da Stefanini Marketing estimou que a data poderá gerar R$ 14,47 bilhões em vendas e 18,3 milhões de pedidos. Uma sondagem da Fecomércio/RO aponta que 68,4% dos consumidores pretendem fazer compras. Entre os produtos mais procurados estão roupas (51,8%), eletrodomésticos (31,9%) e eletrônicos (23%). A pesquisa também aponta que 48,1% planejam pagar à vista, enquanto 50,9% pretendem antecipar as compras para a semana anterior à Black Friday. Para a Fecomércio/RO, a movimentação antecipada pode estender o período de promoções e contribuir para as vendas de fim de ano. “A antecipação das compras deve ampliar o período de promoções e, este ano, inclusive com o apoio direto do Sebrae de Rondônia, os empresários se prepararam mais. Daí a suposição de que a Black Friday deve impulsionar as vendas de fim de ano”, disse o presidente da entidade, Raniery Araújo Coêlho. PREÇO DO DIESEL AUMENTA QUASE 2% EM RONDÔNIA O Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), que acompanha o comportamento de preços nos postos de combustível, aponta que Rondônia registrou um cenário de alta nos preços dos combustíveis em outubro, na comparação com setembro, com exceção do etanol.  O diesel comum subiu 1,93%, custando em média R$ 7,39 já o S-10 ficou 1,87% mais caro, com preço médio de R$ 7,61, enquanto a gasolina subiu 0,13%, alcançando R$ 7,45. No sentido oposto, o etanol recuou 0,58%, cotado a R$ 5,14. Segundo Vinicios Fernandes, Diretor de Unidades de Negócios da Edenred Mobilidade, “Em outubro, Rondônia apresentou uma tendência de alta nos preços da maior parte dos combustíveis, com destaque para o diesel, que registrou os avanços mais expressivos no período. Com a queda registrada no período, o etanol se consolida como a opção mais econômica e sustentável para os motoristas rondonienses”. ENCONTRO DE CATADORES DE MATERIAIS RECICLÁVEIS DE RONDÔNIA O governo do estado realizou na segunda-feira (2) o 4º Encontro Estadual de Catadores de Materiais Recicláveis, entre os municípios de Presidente Médici e Ji-Paraná. Durante o evento, encerrado na terça-feira (3), cerca de 100 profissionais organizados em cooperativas, associações ou de forma individual participaram da programação, coordenada pela Secretaria de Estado da Mulher, da Família, da Assistência e do Desenvolvimento Social (Seas), com palestras, visita técnica, atividades práticas e levantamento de demandas que ampliem a geração de renda, qualifiquem a atuação das cooperativas e associações, difundam práticas seguras de trabalho e consolidem propostas para o desenvolvimento da política pública de reciclagem inclusiva no estado.  A titular da Seas, Luana Rocha reforçou, que com estes encontros o governo, por meio da Seas, contribui com a organização dos catadores no estado para o fortalecimento das cooperativas e a construção de uma pauta unificada em defesa da reciclagem inclusiva em Rondônia. ““A escolha de Presidente Médici atendeu ao pedido dos próprios catadores, apresentado no Fórum Estadual de Lixo e Cidadania, pelo fato de o município estar mais centralizado, favorecendo a participação de um número maior de catadores. Nesta edição foi inserida pela primeira vez a oficina do projeto “Recicla ON”, do Instituto Gea, do estado de São Paulo, focada na capacitação e estruturação de cooperativas de catadores para a destinação correta de resíduos eletroeletrônicos (lixo eletrônico). AS PERSPECTIVAS DE INFLAÇÃO PIORAM SEGUNDO O BOLETIM FOCUS A mais recente edição do Boletim Focus mostra uma piora drástica das expectativas dos investidores com relação à inflação, aos juros e à taxa de câmbio. A piora se inicia pela inflação. Há quatro semanas, a estimativa este ano foi de 5,01%. Na semana passada, subiu para 5,19% e, nesta edição, avançou para 5,22%, bastante acima do teto da meta.  A projeção para 2027 também piorou. Nas últimas semanas, a expectativa estave ao redor de 4,3%. Acima da meta de 3%, mas dentro do limite aceitável. Agora, a projeção avançou para 4,76%, acima do teto de 1,5% da meta. A alta prevista é menos intensa nos anos de 2028 e de 2029. Porém, as estimativas para esses dois anos se situavam ao redor de 3,5% e agora estão ao redor de 4%, também  acima da meta. RESILIÊNCIA DA ECONOMIA GLOBAL DIMINUI AFIRMA FMI O documento final da 54ª reunião do Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC), nas reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, alerta que a economia global resiste a choques, mas sua capacidade de absorver novas turbulências diminui, após o desmantelamento da ordem geopolítica, conflitos e danos às cadeias de suprimentos, pela pandemia e por guerras. Assim o FMI pede políticas mais consistentes, reconstrução das reservas fiscais, estabilidade de preços e cooperação entre nações. O World Economic Outlook projeta um crescimento mundial de 3,1% em 2026 e 3,4% em 2027, e inflação global de 4,7% neste ano, recuando para 4,1% no próximo. Há diferenças: países beneficiados por investimentos em IA e condições comerciais favoráveis têm perspectivas melhores do que importadores de energia e economias de baixa renda. Interessante é que o documento destaca os riscos do endividamento público: a alta dos rendimentos dos títulos soberanos, somada à dívida elevada, pode encarecer o crédito. Recomenda consolidação fiscal e marcos fiscais, preservando investimentos prioritários e a proteção social; transferências temporárias e direcionadas seriam mais eficientes do que controles generalizados de preços. Na política monetária, pede estabilidade de preços, decisões baseadas em dados, comunicação clara e independência dos bancos centrais. A inteligência artificial impulsiona investimentos, comércio e produtividade, mas seus benefícios tendem a ser desiguais; revisões nas expectativas de rentabilidade podem provocar correções nos mercados e ampliar disparidades. AUTOR: SILVIO PERSIVO –  TEIA DIGITAL

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