Não duvide não que eles são audaciosos. “Só falta eles nos proibirem de pensar, para não ofender os imbecis” (Fiodor Dostoievsky).
CENTRO DA CIDADE, UM PEQUENO RETRATO DA CRISE
O centro de Porto Velho passa, infelizmente, por um período de grande deterioração. Recentemente tive o comunicado de três empresas que anunciaram o encerramento de suas atividades. Duas delas com mais de San uma década de história. Em parte, os problemas decorrem da localização, mas também existe outros dois aceleradores; o cenário econômico com acentuada queda das vendas das lojas físicas, com um acentuado crescimento das vendas on-line, e também as dificuldades de crédito e manutenção com os elevados juros do mercado. Estima-se que, no corredor que abrange as avenidas 7 de Setembro e Carlos Gomes, desde 2024, houve o fechamento de mais de 60 negócios o que bem demonstra os desafios enfrentados pelos empresários e a dificuldade de sobrevivência do comércio local.
QUEDA DO CONSUMO VIRA A GRANDE PREOCUPAÇÃO
Embora relativamente a situação de Rondônia seja boa em relação a de outros estados o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia-Fecomércio/RO, Raniery Araújo Coêlho, mesmo considerando que a expectativa dos empresários de Rondônia ainda é positiva em relação ao fim do ano, afirmou que “Hoje, a retração do consumo superou os juros como principal fonte de preocupação de muitos empresários rondonienses”. Também uma pesquisa nacional, a edição de setembro/outubro do Índice Mercado & Opinião (IMO), indicador proprietário que acompanha confiança, expectativas e disposição estratégica de donos, CEOs e conselheiros, aponta que para 34% dos participantes, a queda do consumo é o maior risco até dezembro, enquanto 11,3% apontam diretamente os juros elevados. E as expectativas sobre o consumidor reforçam o diagnóstico: 71,7% projetam redução moderada ou significativa do consumo até o fim do ano, 24,5% esperam estabilidade e apenas 1,8% contam com crescimento. A nota média de otimismo ficou em 4,96, abaixo do patamar de 7 considerado confortável pelo índice e distante dos 6 pontos registrados em dezembro de 2025. O fato é que os altos juros já estavam na conta dos empresários. A preocupação provém da percepção de que o consumidor perdeu fôlego. Com crédito caro e demanda fraca a preservação do negócio entra no radar de grande parte em especial dos comerciantes. Pelo menos em Porto Velho nota-se que entre as prioridades, o crescimento de vendas e a preservação de caixa dividem passam a merecer uma maior atenção enquanto expansão e novos investimentos estão sendo quando muito mantidos, mas há um visível movimento de ajuste.
RONDÔNIA SE DESTACA NO CONCURSO NACIONAL DE CACAU ESPECIAL
O cacau produzido em Rondônia conquistou sete vagas entre os 20 finalistas do VIII Concurso Nacional de Cacau Especial – Sustentabilidade e Qualidade, uma das principais premiações do setor no país. O resultado reforça o protagonismo da cacauicultura rondoniense, que teve o maior número de inscrições da competição neste ano. O concurso recebeu 126 amostras de 101 produtores de sete estados brasileiros, dos quais 44 amostram foram de Rondônia-graças ao apoio do Sebrae para a participação de produtores de nove municípios do estado. Entre os estados participantes, Rondônia conquistou sete posições na fase final da competição, ficando atrás apenas do Pará, que classificou oito amostras.
NÚMERO DE SUPERENDIVIDADOS AUMENTOU 75%
Segundo o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central (BC), em junho de 2026, existem 20,3 milhões de brasileiros em situação de endividamento de risco, uma alta de 75% em cinco anos. Ou seja, 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional. Com o avanço do problema, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que a instituição vai anunciar novas medidas para conter ofertas agressivas de crédito este ano. Resumo do relatório: 20,3 milhões, brasileiros em situação de endividamento de risco; 75%, crescimento do contingente entre junho de 2021 e junho de 2026; 17%, participação dos devedores de risco no sistema financeiro; 42%, comprometimento da renda com dívidas entre pessoas que ganham até dois salários mínimos; 15%, parcela da renda dessa faixa comprometida com dívidas no cartão de crédito; 18,6%, comprometimento total da renda entre quem ganha mais de dez salários mínimos.
DISPARO DOS PREÇOS COBRA FATURA DA ELEIÇÃO
O IBEVAR – Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo, referência em pesquisas e conteúdos sobre Varejo e Consumo, realizou um levantamento das 1.147 matérias publicadas sobre a eleição no Brasil em 36 países, constatando que 89,7% foram factuais, 7,4% positivas e 2,9% negativas. Mais da metade da cobertura (52%) saiu na Europa, que tem um viés amplamente favorável à Lula. No entanto, os preços dizem outra coisa. O DI (taxa de depósito financeiro) jan/2028 saltou mais de 200 pontos-base, o dólar subiu mais de 8% e o Ibovespa caiu 13,9%, fazendo sumir todos os ganhos do mês em um único pregão. Em testes estatísticos, os três movimentos ficaram de 6 a 13 desvios-padrão fora do normal e foram de 9 a 13 vezes maiores que o maior movimento do mesmo sentido no mês. A leitura dos preços dá indicações sobre o escrutínio: credibilidade fiscal, câmbio e inflação, relação com um Congresso mais distante do Planalto, composição da equipe econômica, contestação do resultado e o peso do endividamento das famílias sobre o consumo. “Os preços falaram e o texto é o seguinte: credibilidade fiscal fortemente comprometida, incerteza sobre a governabilidade e limite atingido de endividamento das famílias”, salientou Claudio Felisoni, Presidente do IBEVAR e Professor da FIA Business School.
AUTOR: SILVIO PERSIVO – COLUNA TEIA DIGITAL





















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