No século passado- e digo isso com humildade e reconhecimento dos erros- fui um dos que acreditaram ser possível criar um mundo melhor, quase um paraíso na Terra. A bandeira da esquerda, em especial durante o regime militar e diante da rigidez dos costumes, parecia nos convocar à revolução. Éramos jovens e acreditávamos em mudanças rápidas, na nossa capacidade de endireitar o mundo. Eram sonhos juvenis, que a realidade tratou de enterrar. O socialismo, que se apresentava como solução, logo se revelou uma decepção-algo que os mais ingênuos não conseguiram, ou não quiseram, enxergar. Muitos ainda permanecem presos à mentalidade dos diretórios acadêmicos, repetindo velhos chavões sobre esquerda e direita e um marxismo vulgar, já ultrapassado.
Naquele tempo, havia verdadeiros intelectuais, como Stefan Zweig: um pensador intenso, europeu apaixonado pelo Brasil que, ao acreditar no potencial do nosso país, ajudou a consagrar a expressão “País do Futuro”. Zweig via na nossa diversidade, criatividade e alegria uma possibilidade- uma rota de fuga da loucura que se espalhava pelo mundo. Ele, assim como meu ex-professor Darcy Ribeiro, talvez não tenha conseguido enxergar plenamente o nosso lado sombrio, tão presente no “jeitinho” e na disposição de desrespeitar regras sem remorso. Talvez Zweig tenha percebido isto no fim da vida. Não sabemos ao certo quanto pesou esta desilusão em sua decisão de tirar a própria vida. Alguns idealistas têm dificuldade em suportar um mundo que não corresponde aos seus ideais. Há, porém, quem reaja de outra maneira: manipulado por adoradores do poder e do dinheiro e sem disposição para o debate, prefere chamar de “nazistas”, “extrema direita”, “burros” ou “gado” aqueles que pensam diferente.
Neste século, infelizmente, o Brasil enveredou pelo caminho dos oportunistas e dos populistas, muitas vezes sem o preparo intelectual necessário- sobretudo em economia. Adotou um modelo de desenvolvimento conduzido pelo Estado e apoiado no consumo, que hoje representa mais de 60% do Produto Interno Bruto (PIB), com forte recurso ao crédito. Mas desenvolvimento duradouro exige mais do que consumo: requer crescimento da produção, formação de poupança, controle dos gastos públicos e segurança jurídica. São condições que, a meu ver, faltaram ao Brasil ao longo de cerca de 22 anos de governos petistas-e não ignoro que Michel Temer foi vice-presidente de Dilma Rousseff; por isto, não considero seu governo completamente apartado desse período.
Não há futuro sólido quando se negligenciam duas bases fundamentais: educação e investimento. Com a formação bruta de capital em 16,8% do PIB em 2025, crescimento médio de 2,4% ao longo de 24 anos e um investimento abaixo dos 17% registrados em 2022, quando Bolsonaro deixou o governo, corremos o risco de repetir o conhecido ciclo do “voo de galinha”. Ainda assim, Lula quer mais quatro anos para insistir na mesma fórmula, que já se mostrou esgotada, e repetir, mais de uma década depois, os erros do governo Dilma Rousseff. No século passado, ao menos havia a esperança que Zweig nos oferecia- uma esperança da qual o Brasil se afastou, ou que talvez nunca tenha alcançado de fato. A juventude de hoje, porém, merece um sinal de esperança e a promessa de um futuro melhor. Isto não será possível sem MUDANÇA. A eleição do dia 25 nos oferece uma alternativa para o Brasil mudar de rumo. Quem sabe, a partir de um governo diferente, possamos construir um projeto de país e recuperar a capacidade de sonhar com um amanhã melhor.
(*) é economista e escritor.
ARTIGO POR SILVIO PERSIVO AUTOR E FONTE PARA A FOLHA RONDONIENSE

















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