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Servidores da Anvisa relatam rotina de abusos e assédio, e MP junto ao TCU pede apuração

Funcionários dizem que há perseguição, gritos e constrangimento; Anvisa não quis se manifestar sobre as

Perseguição, gritos, constrangimento e pressão são relatados por servidores da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que se dizem vítimas ou testemunhas de casos de assédio moral e sexual que estariam ocorrendo na agência. Com exclusividade, o R7 conversou com oito servidores e ex-servidores que afirmam que o clima de medo e de constante apreensão tem se intensificado nos últimos anos, desde que Antonio Barra Torres assumiu a direção do órgão, em 2020. Procurada, a Anvisa não quis se manifestar.

Agora, os casos chegaram ao MPTCU (Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União), que determinou que sejam adotadas medidas para apuração de eventuais irregularidades na gestão de pessoas da agência. A representação, a que o R7 teve acesso com exclusividade, foi assinada nesta sexta-feira (9) pelo subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado.

Na representação, o subprocurador menciona que as denúncias “levantam dúvidas acerca da maneira como a atual direção da agência lida com a gestão de pessoas nas coordenações da Anvisa” e que “a prática de assédio na administração pública configura flagrante violação ao princípio da moralidade, previsto expressamente no capítulo do artigo 37 da Constituição”.

“Quando praticado no âmbito da administração pública, o assédio gera a percepção, na sociedade, de que as instituições estatais não se pautam em valores morais nem são conduzidas segundo elevados padrões de conduta”, diz a representação.

A reportagem teve acesso a uma série de e-mails trocados com a Comissão de Ética da Anvisa, em que são relatados casos de assédio moral por parte de chefes. Ao menos duas denúncias de assédio envolvendo funcionários que atuam na presidência da agência também estão sob investigação da CGU (Controladoria-Geral da União).

Ao todo, em 2023 foram relatados oficialmente à CGU sete casos de assédio moral e um caso de assédio sexual na Anvisa. Esse número é mais que o dobro do registrado em 2022, quando foram reportados três casos de assédio moral e nenhum caso de assédio sexual.

No entanto, segundo relatos de funcionários da agência, o ambiente de trabalho é marcado pelo medo, o que dificultaria a denúncia. Eles alegam que a liderança da Anvisa parece proteger supostos assediadores e destacam que poucas medidas têm sido tomadas em resposta às denúncias. Das dez últimas decisões do Comissão de Ética da Anvisa, oito foram arquivadas sem chegar a uma conclusão. Uma delas resultou em uma investigação em um processo separado, enquanto outra foi resolvida por meio de um acordo.

“A cultura e o clima organizacional da Anvisa não são saudáveis. É um ambiente que adoece as pessoas. Já vi gestores diminuindo o trabalho de técnicos, e, quando alguém denuncia, é perseguido. Há uma tentativa de silenciar quem denuncia, de fazer com que a pessoa que sofreu assédio desista de denunciar abusos”, comentou uma servidora que concordou em falar com a reportagem sob a condição de manter sua identidade em sigilo.

Um dos funcionários relata que casos de assédio chegaram ao gabinete da presidência da Anvisa, mas nenhuma providência teria sido tomada. “Toda a diretoria e o gabinete sabiam sobre o assédio sexual, e existia um risco real de ter acontecido algo mais grave com alguém dentro da Anvisa. Mas a atitude sempre foi de silenciar, de abafar o caso”, relata.

O caso a que o servidor se refere é o de Paulo César do Nascimento Silva, ex-assessor especial da presidência da Anvisa, preso em 12 de junho de 2023 dentro das instalações da agência. Ele ocupava um cargo comissionado desde 2019, responsável pelas relações governamentais. Ele foi exonerado após prisão e condenação por crime de estupro. Na época, a agência informou que desconhecia as denúncias e que a prisão foi uma consequência de fatos que ocorreram antes de ele exercer o cargo de confiança na presidência da agência.

Essa versão, porém, é questionada por alguns funcionários. Os relatos são de que Paulo César frequentemente carregava uma arma dentro da agência e exibia comportamento assediador em relação às mulheres, persistindo em abordagens inadequadas, especialmente com as mais jovens.

“Ele convidava as mulheres para tomar cerveja depois do trabalho, com comportamento claramente assediador, e ficava insistindo com as colegas, inclusive abordando nos corredores. Em uma ocasião, uma colega pediu ajuda para que eu não a deixasse sozinha com ele. Já era no final do dia e ficamos após o expediente, esperando ele ir embora, e ele só foi quando entendeu que ela não iria ceder”, relata.

A reportagem ainda obteve acesso a um boletim de ocorrência, datado de 2021, que acusa o ex-assessor da Anvisa de perseguir uma mulher no Distrito Federal. Esse incidente ocorreu antes da prisão de Paulo César, mas enquanto ele já exercia cargo de confiança dentro da agência.

Também na época da prisão, o grupo “Nós por Elas” denunciou que havia assédio sexual dentro da agência, alegando que os gestores tinham conhecimento dos casos, mas não tomaram medidas para investigar e punir os responsáveis.

“Algumas de nós fomos obrigadas a suportar situações de assédio e importunação sexual, tanto do senhor Paulo César quanto de outros colegas, por medo de retaliação profissional, perseguição, agressão e outros tipos de violência. Embora muitos gestores tenham mostrado solidariedade com as vítimas, nenhuma denúncia formal foi feita devido aos motivos mencionados”, declarou a entidade.

Com a repercussão do caso, a agência criou um comitê de prevenção a assédio moral e sexual. Mas os servidores também reclamam que não há fluxo entre as áreas responsáveis por apurar os casos. “Foi uma coisa feita às pressas, para ‘inglês ver’ e para dar uma resposta à sociedade naquele momento de crise. Foi mais uma ação para o público externo do que para o interno”, declarou um servidor.

Uma ex-servidora da agência diz que também teve pedidos de socorro ignorados por diretores. “No meu caso, houve uma tentativa de proteger uma pessoa que estava cometendo um crime em um órgão público, e eu percebi que queriam abafar, teve uma tentativa de minimizar as agressões”, relata. “O que eu tenho a dizer, e que é muito importante, é que quem está sofrendo assédio precisa falar, nem que seja para um colega. Ter compartilhado meu caso com uma colega que trabalhava comigo na época me ajudou muito”, comenta.

Os funcionários mencionam frequentemente o receio de sofrer represálias. Alguns relatam ter sido transferidos para diferentes áreas ou perdido seus cargos depois de denunciarem assédio por parte de seus superiores. 

“Existe muito receio em fazer uma denúncia formal, especialmente porque são pessoas que trabalham diretamente com a presidência. As pessoas temem represálias no ambiente profissional, e o fato de assessores portarem arma só aumenta esse medo”, explicou.

O Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências) também se manifestou sobre as denúncias. Em nota, o sindicato disse que “lamenta a ineficiência das gestões em coibir esse tipo de crime – que, nos últimos anos, infelizmente, têm se tornado cada vez mais comum”.

“O agravamento do clima organizacional das Agências, a falha das direções em garantir um ambiente de acolhimento aos servidores que foram vítimas de assédio, e a falta de diálogo tornaram as Agências Reguladoras um terreno fértil para a ação de assediadores”, diz a nota.

Outro lado

A reportagem buscou um posicionamento da Anvisa em relação aos casos, porém, a agência respondeu que “por ora, não irá se manifestar”. Tentativas de contato com Antonio Barra Torres, presidente do órgão, foram realizadas, mas não houve resposta às ligações nem às mensagens enviadas.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Paulo César e perguntas sobre o caso dele também não foram respondidas pela agência. O espaço permanece aberto para manifestações.

A Anvisa

Vinculada ao Ministério da Saúde, a Anvisa é responsável por criar normas e regulamentos e dar suporte para todas as atividades da área no país. A agência também é quem executa as atividades de controle sanitário e fiscalização em portos, aeroportos e fronteiras. Esse trabalho, alerta servidores, está ameaçado por uma gestão militarizada.

Atualmente, quem comanda a agência é o médico da Marinha Antonio Barra Torres, no cargo desde 2020, por escolha do ex-presidente Jair Bolsonaro. Antes de assumir a Anvisa, ele desempenhava um papel de contraponto ao ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, no Planalto. Mandetta ficou no cargo até abril de 2020, e Barra Torres acabou sendo oficialmente nomeado chefe da Anvisa em outubro de 2020, embora já estivesse exercendo interinamente a função desde dezembro de 2019.

Logo no início da pandemia, Barra Torres agiu alinhado às posições de Bolsonaro e chegou a participar de um ato que pregava o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF). Era março de 2020, auge da pandemia, e Barra Torres desfilou ao lado de Bolsonaro sem máscara e diante de aglomeração de pessoas, apesar das recomendações no sentido contrário. Dias depois, e após ser bombardeado por críticas, ele disse que se arrependeu da conduta. A partir daí, passou a se distanciar do presidente e a defender a “autonomia da agência”.

No entanto, essa atitude é vista como contraditória por servidores da Anvisa. Isso porque, ao longo de seu tempo na agência, apesar de ter mantido certa distância midiática da família Bolsonaro, Barra Torres tem se cercado de assessores com ligações militares, a maioria sem experiência na área de regulação.

É o caso do próprio diretor-adjunto da Anvisa, Juvenal de Souza Brasil Neto. Ele tem o poder de substituir Barra Torres em certas ocasiões, mas antes de ser nomeado à agência nunca havia trabalhado com regulação. No currículo disponível no site da Anvisa, Juvenal menciona que atuou como secretário de Obras de Areal (RJ) de 2004 a 2011. No entanto, o termo de exoneração revela que ele desempenhou o cargo de fiscal de obras, com contratos firmados entre 2009 e 2011. De acordo com o documento, ele foi encarregado da fiscalização de uma obra de ciclovia, da reforma de uma estação e da construção e adaptação de quadras esportivas.

Além disso, a formação do diretor-adjunto de Barra Torres, na área de engenharia civil e fiscalização de obras, difere significativamente da formação dos diretores-adjuntos das outras quatro diretorias da Anvisa, os quais são especialistas em saúde, controle sanitário e regulação de mercado. 

O R7 questionou a Anvisa sobre a formação técnica de Juvenal de Souza Brasil Neto e outros assessores militares, mas a agência não quis se manifestar. A reportagem não conseguiu localizar o contato de Brasil Neto. 

Votações polêmicas

Servidores também relatam que, nos bastidores, Barra Torres atuou para persuadir diretores no caso da liberação do agrotóxico Paraquat, que saiu do mercado depois de ser associado ao mal de Parkinson e falência de múltiplos órgãos, como pulmão, rins e fígado. Inicialmente, a Anvisa estabeleceu a proibição do Paraquat em 2017, depois de quase uma década de debates sobre o assunto.

Naquele momento, ficou estipulado um prazo até 2020 para que o setor se adequasse. Posteriormente, a data limite foi estendida por mais um ano, permitindo que os produtores utilizassem os estoques adquiridos. O lobby do agronegócio, no entanto, pressionava para que a permissão do uso do produto fosse estendida por mais um ano.

A votação ocorreu em 15 de setembro de 2020. Marcus Aurélio Miranda de Araújo, então diretor-substituto da Anvisa e ex-parceiro de Barra Torres, votou seguindo a recomendação técnica da Anvisa, que era a favor da proibição do produto.

Com isso, o resultado foi 3×2 a favor da proibição, contando com os votos dos diretores Romison Rodrigues Mota e Alessandra Bastos Soares. Barra Torres e Meiruze Freitas votaram a favor da permissão da substância. Antes, Meiruze havia expressado oposição ao agrotóxico, mas acabou mudando seu voto.

Barra Torres perdeu a votação, e, menos de dez dias depois, em 24 de setembro de 2020, Jair Bolsonaro retirou a indicação de Marcus Aurélio à diretoria da Anvisa. Até então, ele já atuava como diretor-substituto, mas ainda esperava o aval do Senado para assumir o cargo de diretor efetivo.

Nos bastidores, há um entendimento entre os diretores de que apenas os assuntos com consenso são incluídos na pauta de votações. Em 2023, por exemplo, ocorreram 375 votações unânimes.

Julgamento no TCU

A chefia de Barra Torres está em jogo também por causa de um julgamento no TCU (Tribunal de Contas da União) que analisa se os nomeados para o cargo de diretor-presidente de agências reguladoras podem ter um mandato de 5 anos, mesmo que já tenham ocupado anteriormente a Diretoria Colegiada das agências por mais de 5 anos, como é o caso de Barra Torres. O processo deveria ter sido julgado na última quarta-feira (7), mas a decisão foi adiada pela quarta vez por falta de consenso sobre o tema no TCU.

A controvérsia ocorre pela interpretação da Lei 13.848 de 2019, chamada de Lei Geral das Agências. Essa lei estabelece que os diretores dos órgãos reguladores devem ter um mandato máximo de cinco anos e não podem ser reconduzidos ao cargo.

No entanto, há uma interpretação de que quando um diretor já atuou como diretor-geral da mesma agência, seus mandatos não podem ser contados separadamente. Caso o TCU decida por essa interpretação, Barra Torres deve deixar o cargo em 4 de agosto de 2024 e não em 21 de dezembro de 2024.

FONTE: R7.COM

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CHARGE – CARTUNISTA

COLUNISTAS

RESENHA POLITICA POR ROBSON OLIVEIRA

  • RESENHA POLITICA: Sofia Andrade mira a Prefeitura de Porto Velho e pressiona Léo Moraes à apoiar Flávio Bolsonaro

    ESTRIDENTE A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido. SUBORDINAÇÃO Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado. CONVICÇÕES Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política. CONFRONTO Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado? PREFEITURA É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências? DEDUÇÃO Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa. PODER Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder. CONSTRANGIMENTOS Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos. PALCO Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão. GOVERNO As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador. BALÃO Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências. EXPERIENTE Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva. FORÇA Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia. CREDENCIAIS Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos. CONTA A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta. RESTRIÇÃO Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento […]

TEIA DIGITAL POR SILVIO PERSIVO

  • TEIA DIGITAL: Em Setembro, Balança Comercial em Rondônia apresenta resultado negativo – Por Silvio Persivo

    E querem nos dizer o que devemos fazer sem considerar nossos interesses. “Eles não aprenderam nada e não esqueceram nada” (Charles Maurice de Talleyrand-Périgord). 3ª EXPOTURISMO ENCERRA COM IMENSO SUCESSO Realizada com muito sucesso, de público e de movimentação financeira, a 3ª Expo Turismo Rondônia 2026, que, este ano, foi no complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, brilhou pela diversidade dos estandes. A feira reuniu empreendedores, especialistas, representantes de municípios e profissionais do setor. Estiveram presentes mais de 10 mil visitantes ao longo dos três dias para visitar 85 estandes, especialistas e empreendedores do setor. O evento ampliou a visibilidade dos negócios, estimulou parcerias e incluiu palestras, workshops, aulas-show, debates, oficinas, talk shows e capacitações, além da exposição de produtos, serviços e experiências turísticas. Também a pesca esportiva foi o grande destaque com a presença de Nelson Nakamura e os filhos Renan e Vitor Nakamura, referências na pesca esportiva. Nelson Nakamura e os filhos participam da Expo pela terceira vez, com presença em workshops e atividades voltadas ao segmento, ao lado de outros especialistas do setor. O evento foi realizado pel0 governo de Rondônia por meio da Secretaria de Estado do Turismo (Setur), em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio-RO) e o apoio da Prefeitura Municipal de Porto Velho.  O governador Marcos Rocha destacou sobre o evento a importância de valorizar os atrativos regionais e criar oportunidades para empreendedores e municípios por meio do turismo. AS CRIANÇAS AINDA SÃO MAIORIA EM RONDÔNIA O Dia das Crianças foi muito comemorado em Rondônia, mas, é preciso frisar que, no Brasil, hoje, existem 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais contra apenas 26,4 milhões de crianças de até 9 anos. É uma diferença de 10 milhões a favor dos idosos, o que reflete a virada demográfica que começou em 2020 e deve se aprofundar em 2040, quando serão 2,5 idosos para cada criança. Em 2000, as crianças eram 19,8% da população. Hoje são somente 12,3%, ou 1 em cada 8 brasileiros. Já em 18 das 27 unidades da federação há mais idosos do que crianças. O Rio Grande do Sul lidera com a maior proporção de idosos: possui 1,96 idoso por criança. Já Rondônia, a proporção é de 1,18 criança de até 9 anos para cada idoso com 60 anos ou mais (ou cerca de 85 idosos para cada 100 crianças nessa faixa etária). EM SETEMBRO BALANÇA COMERCIAL DE RONDÔNIA APRESENTA RESULTADO NEGATIVO O comércio exterior de Rondônia, em setembro, segundo o Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), fechou o mês com déficit de US$ 59,5 milhões, valor proveniente de US$ 195,7 milhões em vendas e US$ 255,2 milhões, mas, no acumulado de janeiro a setembro deste ano, o resultado permanece favorável ao Estado, com saldo positivo de US$ 560,2 milhões. O resultado de setembro decorre do aumento das importações que chegou perto de 40% em relação ao mesmo período de 2025. O que também contribuiu, porém em menor proporção, foram as limitações tarifárias sobre a carne bovina na China, que atingiu o teto da cota anual, e passou a receber uma sobretaxa de 55% em cima da taxa base de 12%, totalizando a alíquota de 67%. Para contornar as restrições no país asiático, frigoríficos e produtores locais redirecionaram seus carregamentos para destinos como Chile, Estados Unidos e Canadá. A pauta de embarques permaneceu concentrada na carne bovina, responsável por 58,1% das vendas, e o milho, com 23,3%. O mercado de café também apresentou teve expansão contínua, com 7,3% da pauta mensal. O café ganhou protagonismo na balança comercial pelo forte crescimento em 2026. O volume total do grão embarcado até o momento perfaz quase o dobro de tudo o que foi exportado ao longo do ano de 2025. Nas importações, a China respondeu por 41,2% do total acumulado no ano, somando US$ 953,6 milhões, acompanhada por parceiros como Argentina e Estados Unidos. Os valores elevados de compras externas decorrem do modelo tributário de importação escritural garantido pela legislação estadual. Neste sistema, as empresas registradas em Rondônia efetuam o recolhimento de tributos no Estado, enquanto os produtos entram no país por portos de outras regiões e seguem para o destino final, sem significar consumo direto pela população local. UNIVERSIDADES EM XEQUE A atual disputa eleitoral está desnudando, de uma forma até burlesca, o que acontece nas universidades brasileiras e como essas se encontram distantes dos problemas reais do país. É fato que a tecnologia e o progresso estão obrigando a academia a mudar o que fazem. Porém, com as manifestações estudantis e os problemas que surgem internamente de incêndios e uso das instalações para politicagem, a questão que aflora se tornou mais grave. Começa-se a questionar não somente “apenas o que fazem” e sim também “os que fazem”. Há professores passando vergonha tanto pelos discursos ultrapassados como pela demonstração de falta de conhecimento demonstrando que o saber está realmente escasso nas universidades. E isto se demonstra tanto pela queda das instituições nos rankings de classificação, em relação as de outros países, como pela deterioração visível dos campus e instalações onde as pichações, a falta de manutenção e a sujeira dão uma triste demonstração de como se encontram locais que deveriam ser espelhos para a sociedade. E o mais preocupante é que esta desvalorização das universidades se visualiza quando há um declínio de uma das suas principais razões de existência, que é a realização de pesquisas. Antes o setor produtivo precisava dos recursos que as universidades possuíam, da aliança entre ensino e pesquisa, inclusive para sustentar os salários das pessoas capazes de realizar este tipo de pesquisa. Agora, tudo indica que, com a crescente perda de importância das pesquisas universitárias, as empresas apostam mais nos seus próprios recursos e de que a inteligência artificial será cada vez mais capaz de realizar grande parte das pesquisas necessárias. Por isto diminuem a procura por vagas, […]

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